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Corumbá, Segunda, 12 de Outubro de 2026
Agronegócio

Mato Grosso do Sul chega aos 49 anos com destaque na pecuária brasileira há mais de 2 décadas

Os dados mais recentes divulgados da PPM 2025, divulgada pelo IBGE no dia 30 de setembro, Corumbá reúne 2,2 milhões de cabeças de gado.

Neste 11 de outubro, quando Mato Grosso do Sul completa 49 anos de criação, Corumbá contribui para que o Estado tenha um motivo a mais para celebrar uma vocação econômica: é de MS o município que tem o segundo maior rebanho bovino do Brasil. Uma força econômica que vem sendo destaque há mais de 20 anos. Os dados mais recentes foram divulgados com a versão atualizada da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo IBGE no dia 30 de setembro.

De acordo com o levantamento, Corumbá reúne 2,2 milhões de cabeças de gado. O município fica atrás apenas de São Félix do Xingu, no Pará, que lidera o ranking nacional com 2,7 milhões de cabeças. Completam a lista dos cinco maiores rebanhos Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão.

Mais de 20 anos no topo do ranking nacional

A posição de destaque não é recente. As divulgações da PPM mostram que Corumbá, em Mato Grosso do Sul, está entre os dois maiores rebanhos bovinos do país há mais de duas décadas.

Nos anos 2000, o município liderou o ranking nacional. Na pesquisa de 2003, o IBGE apontava Corumbá e Ribas do Rio Pardo, ambos em Mato Grosso do Sul, como os principais municípios produtores de bovinos do Brasil. Corumbá aparece na primeira posição nas divulgações de 2006, 2007, 2008 e 2009. Em 2008, o município tinha 1.935.896 cabeças. Em 2009, eram cerca de 1,97 milhão, o equivalente a 1% de todo o rebanho brasileiro.

A partir de 2010, São Félix do Xingu (PA) assumiu a liderança, e Corumbá passou a figurar como segundo colocado. É a posição em que o município aparece nas divulgações da pesquisa de 2010, 2014, 2019, 2024 e, agora, 2025. Nesse período, o rebanho corumbaense passou de 1,8 milhão de cabeças, registrado em 2014 e 2019, para 2,2 milhões, em 2024 e 2025.

Corumbá, o celeiro de bezerros de MS

Os boletins de bovinocultura de corte do Sistema Famasul (SigaBov), elaborados com dados da Iagro, mostram que o peso de Corumbá na economia de Mato Grosso do Sul vai além do tamanho do rebanho. O município é o principal fornecedor de bezerros do Estado e abastece a engorda de todo o resto da federação.

Corumbá lidera o ranking estadual de movimentação de animais para engorda pelo terceiro ano seguido. Foram 752.240 animais em 2023, 857.800 em 2024 e 865.940 em 2025. Em 2025, o volume foi 68% maior que o do segundo colocado, Campo Grande, com 515.443 animais. Corumbá também foi, em 2024 e em 2025, o município com o maior número de bovinos movimentados para reprodução no estado.

Na movimentação de bezerros de 0 a 12 meses, Corumbá ficou em primeiro lugar em todos os anos de 2020 a 2023. Em 2023, foram 267.903 animais, o equivalente a 8,12% de todo o estado. Segundo a Famasul, os bezerros nascidos em Corumbá não abastecem apenas Mato Grosso do Sul: também seguem para outros estados, como São Paulo e Mato Grosso.

O Pantanal em números

Ainda de acordo com os boletins da Famasul, o Pantanal ocupa cerca de 9,73 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 27% do território estadual. Cerca de 64% de toda a área do bioma fica no estado.

A região pantaneira reunia, em novembro de 2024, cerca de 4,19 milhões de bovinos, o que corresponde a 22,3% do rebanho estadual. São cerca de 3.708 propriedades rurais cadastradas, e a pecuária de corte responde por 76,18% das pessoas ocupadas no Pantanal sul-mato-grossense. Em 2024, a região movimentou 1.717.111 animais para engorda.

Dentro do bioma, Corumbá é o município com o maior rebanho. Entre 2014 e 2023, respondeu por mais de 60% do gado do Pantanal sul-mato-grossense. Em 2023, eram 2.061.463 cabeças, segundo a Iagro. É também o município do estado com a maior proporção de animais com mais de 36 meses, reflexo do perfil de cria da pecuária pantaneira.

Pecuária pantaneira em destaque nacional

O resultado reforça o peso da pecuária pantaneira na economia de Mato Grosso do Sul. Em Corumbá, a criação de gado de corte acompanha a história da ocupação do Pantanal e se mantém como uma das principais atividades econômicas do município, com sistemas de produção adaptados ao ciclo das cheias e das secas.

"Ver Corumbá entre os maiores rebanhos do país há mais de 20 anos é o reconhecimento de gerações de produtores que fazem a pecuária no Pantanal com dedicação e respeito ao bioma. A cria pantaneira é uma das principais bases da cadeia da carne em Mato Grosso do Sul. E nosso estado, que completa 49 anos, foi construído em grande parte no campo, e o Pantanal faz parte dessa história. O Sindicato Rural de Corumbá segue ao lado do produtor para que essa atividade continue forte, sustentável e valorizada", afirma o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Stefano Rettore.

Cenário nacional

Segundo o IBGE, o rebanho bovino brasileiro somou 234,3 milhões de cabeças em 2025, queda de 1,7% em relação a 2024. É a segunda redução anual consecutiva e o menor efetivo desde 2022. A queda é explicada pelo aumento do abate nos últimos quatro anos, em especial de fêmeas.

O Centro-Oeste, região onde está Mato Grosso do Sul, concentra o maior rebanho do país, com 72,2 milhões de cabeças, o equivalente a 30,8% do total nacional.

A pesquisa também aponta que o valor da produção pecuária brasileira chegou a R$ 141,2 bilhões em 2025, um recorde, com alta de 6,2% em relação ao ano anterior.

Mato Grosso do Sul, 49 anos

Mato Grosso do Sul foi criado em 11 de outubro de 1977, com a divisão do antigo estado de Mato Grosso. Desde então, o agronegócio, com a pecuária de corte à frente, tornou-se um dos pilares da economia sul-mato-grossense. Corumbá, maior município do estado em extensão territorial e porta de entrada do Pantanal, é parte central dessa trajetória.

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