Corumbá, Domingo, 21 de Junho de 2026
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Pelo segundo ano seguido, Corumbá restringe fogos com estampido no Banho de São João

A medida atende à política adotada pela administração municipal em grandes eventos públicos e busca reduzir os impactos causados pelo excesso de ruído em pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), neurodivergentes, idosos, animais e outros grupos sensíveis aos estampidos.

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Pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura de Corumbá restringiu o uso de fogos de artifício com estampido durante as festividades do Arraial do Banho de São João. A programação teve início na noite de sexta-feira, 19, e segue até o dia 23 de junho, quando ocorre a tradicional descida dos andores para o banho do santo nas águas do rio Paraguai, na Prainha do Porto Geral.

A medida atende à política adotada pela administração municipal em grandes eventos públicos e busca reduzir os impactos causados pelo excesso de ruído em pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), neurodivergentes, idosos, animais e outros grupos sensíveis aos estampidos.

O prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira considera a restrição importante para garantir mais inclusão e bem-estar à população, além de minimizar os efeitos negativos provocados pelos fogos de alto impacto sonoro.

“Estamos construindo uma cidade cada vez mais inclusiva e consciente. A tradição do Banho de São João é preservada em toda a sua essência, mas é possível celebrar respeitando as pessoas que sofrem com os estampidos e também o meio ambiente. Essa é uma medida de cuidado com a nossa população”, afirmou o prefeito.

Segundo a diretora-presidente da Fundação da Cultura de Corumbá, Wanessa Rodrigues, a decisão integra um conjunto de ações voltadas à acessibilidade, inclusão social e sustentabilidade ambiental.

“Desde o ano passado, na verdade desde o Carnaval, optamos nos grandes eventos por não utilizar fogos. É uma medida de respeito às crianças e pessoas com TEA e neurodivergentes, idosos e animais, porque sabemos que isso provoca impactos negativos. Uma criança, por exemplo, pode sofrer uma sobrecarga sensorial. O que buscamos é que todos possam acessar e participar dos nossos eventos”, afirmou.

Wanessa destacou que a Prefeitura também desenvolve campanhas de conscientização sobre inclusão durante as festividades. “Estamos alinhados com essas questões sociais que são demandas da sociedade e que precisam ser consideradas na organização dos eventos públicos”, disse.

Além da preocupação com a inclusão, a Fundação da Cultura aponta benefícios ambientais decorrentes da restrição aos fogos. Conforme a diretora-presidente, a preservação do rio Paraguai, elemento central da celebração reconhecida como patrimônio cultural, também motivou a medida.

“Se você faz a queima de fogos na beira do rio, esses resíduos acabam indo para dentro da água. O rio Paraguai desempenha um papel fundamental dentro desse patrimônio que é o Banho de São João. Sem o rio, não existe o banho. Por isso, precisamos ter consciência da importância da preservação”, ressaltou.

A preocupação ambiental se estende a outras ações implementadas durante o evento. A Fundação da Cultura orienta grupos de quadrilhas e apresentações culturais a evitarem o uso de materiais metalizados que possam gerar resíduos e contaminar as margens do rio. Também foram instalados banners educativos incentivando o descarte correto do lixo e alertando sobre os impactos da poluição no principal curso d'água da região.

Para Wanessa Rodrigues, a restrição aos fogos com estampido representa uma adaptação às transformações sociais e ambientais observadas nos últimos anos.

“A questão dos fogos cruza com essa transformação social que estamos vivendo e com uma demanda crescente por inclusão. Ao mesmo tempo, existe a questão ambiental, que está intimamente ligada ao Banho de São João, que é patrimônio cultural de Corumbá”, concluiu

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