CERIMEDO, O FAZENDEIRO DE ROBÔS
| Ahmad Schabib Hany
Eis que Fernando Cerimedo, o mercenário digital, era dono de uma fazenda de robôs, além de 'principal assessor da presidência' da Bolívia, que dava ordens a todos os ministros, peitando o vice e membros dos outros Poderes do Estado Plurinacional e responsável pela estruturação de toda a rede de assédios, achaques e propinas eficientemente desenvolvidas em menos de dez meses de um entreguista, medíocre e nefasto mandato presidencial.
A ignorância é atrevida. Se Fernando Cerimedo se ativesse à sua insignificância e humildemente tivesse exercido seu ignóbil papel de mercenário digital muito bem pago -- regiamente remunerado -- teríamos sido privados de algo que já entrou para a história como a mais ousada intervenção estadunidense vista depois da cínica invasão na calada da noite para sequestrar o presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, no primeiro final de semana deste fatídico 2026.
Mesmo sem conhecer Rasputin, o todo-poderoso autoproclamado 'homem santo' do czar Nicolau II (do decadente império russo às vésperas da gloriosa Revolução Bolchevique), Cerimedo tentou se converter em um. Não sabia que a Bolívia, depois da fundação do Estado Plurinacional em 2007, deixou de ser o galinheiro que toda raposa queria invadir. Aliás -- e que isso valha para todos os fantoches e mercenários do laranjão de fraldão por incontinência intestinal --, não se sai impune quando se fustiga algum boliviano originário. A maldição é muito maior que quando se apronta com gato preto: não conheço um que não haja se ferrado por ter sido canalha com um originário, descendente dos altivos incas e demais povos originários sob seu império.
Nadia Beller, a despeito de seu fenótipo europeu, tem DNA de originário. Poucos sabem, mas todas as pessoas detentoras de cargos comissionados nos diferentes mandatos de Evo Morales entre 2006 e 2019 têm 'corpo fechado' [diferentemente do que ocorre nos rituais africanos (a bem da verdade, afrobrasileiros), os Aymara e Quéchua realizam uma celebração em que cultuam seus ancestrais e pedem a sua proteção antes da posse institucional em La Paz].
Isso sempre fizeram diante de câmeras, mas o eurocentrismo dos repórteres que cobriram a celebração nunca permitiu que se aprofundassem e a apresentavam como algo folclórico, destituído de sua mística milenar. Nem os celtiberos que desgraçaram nosso subcontinente, nem os genocidas contumazes, anglos também de raízes celtas que tentaram exterminar os originários ao norte da Abya Yala [nome ancestral do continente, batizado pelos colonizadores com o nome do navegador genovês que conduziu a esquadra comandada por Cristóvão Colombo, outro genovês, a serviço da rainha Isabel, a Católica, de Castela, que havia desposado o rei Fernão, de Aragão, para efetivar a metrópole colonial que ao lado dos lusitanos -- ou melhor, galegos -- foram os primeiros a fincar suas garras e saquear, pilhar, conspurcar e infelicitar as populações originárias, em nome do cristianismo, da civilização e do progresso deles e para esses vermes em forma de gente que até hoje vivem dessa narrativa miserável e tacanha], se preocuparam em conhecer a complexidade e o desenvolvimento das civilizações devastadas pelos cínicos líderes ocidentais.
É nisso que dá não gostar de ler, pelo menos pouquinho, e respeitar o universo riquíssimo dos chamados povos pré-colombianos. Cerimedo e seu amo e senhor da Casa Branca nunca respeitaram, nem se importaram com isso. E agora têm diante de si algo que não conseguem explicar. Não se trata de 'superstição' e muito menos de 'feitiçaria': quando Você goza da confiança de um originário -- e para isso tem que merecer, fazer jus --, começa a compreender algo que para o colonizador nunca foi revelado, até porque europeus só cobiçaram, saquearam e se lambuzaram com a ostentação da abundante riqueza incaica (e, inclusive, asteca, maia, guarani e tantas outras culturas riquíssimas que ainda resistem).
EXTREMA-DIREITA ATINGIDA
'Pobre' Cerimedo, mirou a namorada e acabou por alvejar a extrema-direita internacional todinha... Na verdade, não chorou por seus filhos -- lembrou-se, afinal, da família? --, quando conduzido à sua primeira audiência da Justiça boliviana. É que tomou consciência de sua insignificância e de que mercenário da CIA e do Mossad, quando pegos pela Justiça, tem destino certo: o descarte, isto é, os seus dias estão contados: "Tic-tac, tic-tac..." [Como nas mensagens do X-Twitter que meses atrás enviou a Evo Morales.]
De imediato o já chamuscado 'pollo pilho' ['frango patife'] deixou claro que não o conhece nem se lembra dele. Para a direita, "negócios, negócios; amizade à parte". Até porque, dizem as más-línguas, que Cerimedo tinha assediado a irmã do fantoche antes de partir para cima da então assessora Nadia Beller. Por isso o repórter policial cruceñista afirmou, em tom de sentença, que o 'consultor' do 'presidente' (inca)Paz cometera sucessivos erros de amador, neófito.
Milei e filhotes do capetão pensam diferente. Dois deles homenagearam o siamês em desgraça, para passar eloquente recado ao amo e senhor deles, inquilino da Casa Branca (ou mais certo ao Narco Ruivo, que se diz secretário de Estado, mas parece mais um sacro-otário de Esterco). Eles sabem que a direita não tolera erros de seus mercenários, adestrados e muito bem pagos. Não há peninha para quem não segue obedientemente a cartilha e acaba fazendo m... de mingau.
MERCENÁRIO DIGITAL
Amiguinhos siameses 'desde criancinhas' de Fernando Cerimedo, Edu bananinha e Flávio rachadinha se derretem todinhos quando veem o desempenho do galã da direita internacional -- na verdade mercenário digital formado pela CIA e com pós-graduação no Mossad genocida do Estado colonial criado em 1947 com o afã de criar um enclave europeu no coração da Arábia, que é muito mais que o reles petróleo desde dos tempos das Cruzadas --, e com os glúteos molhadinhos gritam à moda de Milei (do mesmo time, mas este, como Trump, com fraldão): "Ei, ei, ei! Cerimedo é nosso rei!"
Os mais céticos não creem tratar-se de peninha. Direita não tem empatia, dizem em tom professoral. Estão é de olho nos colegas dele: se ficarem sem seu chefe já se preparam para 'adotá-los', até porque precisam deles nas eleições do Brasil e da Argentina. Sobretudo depois que souberam do arsenal que Cerimedo tinha na Bolívia -- fazenda de robôs e todo um esquema para fraudar eleições pronto para ser posto em ação, fato que os deixou irremediavelmente atiçados...
A última do Flávio rachadinha é de lascar, o que prova a sua falta de criatividade, memória e conhecimento: ele está prometendo como presidente consagrar o Brasil a Jesus Cristo. Além de recorrer a uma traquinagem já usada por seu pai, o inominável, em 2022 (quando teria consagrado o Brasil à Nossa Senhora de Aparecida com o único afã de ganhar votos do eleitorado católico), declarou que só vai debater durante a campanha com quem for 'de Jesus', isto é, for evangélico [está com medo de debater com Lula, que é católico batizado e crismado, como sempre se declarou, inclusive diante de seus Amigos religiosos], e se ganhar as eleições o Estado brasileiro será cristão [o Brasil foi oficialmente cristianizado em 1500, ano em que Pedro Álvares Cabral aportou na região de Porto Seguro, na Bahia de Todos os Santos, até por conta da primeira missa, celebrada por Frei Henrique de Coimbra em um domingo, 26 de abril [6 de maio no calendário atual, razão pela qual em nossa infância estudávamos erroneamente, que teriam sido duas missas, dias 26 de abril e 6 de maio, na praia da Coroa Vermelha, mas hoje sabemos que, pela adoção do calendário gregoriano em 1582, pelo Papa Gregório XIII, passou a existir essa diferença de datas anteriores àquele ano]. O perigo é querer acabar com o Estado laico, conquistado no Brasil em 1891 [por meio do Decreto n. 119-A, de 7 de janeiro de 1890, e mediante a promulgação da primeira Constituição Republicana, de 1891, o Estado brasileiro se tornou laico].
A propósito, mesmo tendo sido nomeados pelo inominável, os dois ministros que estão na presidência e vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já foram 'provocados' por algum cidadão, entidade ou partido sobre as evidências de que Flávio Bolsonaro também acabou de alguma forma desmascarado com os achados das sucessivas operações policiais de La Paz, sobretudo com a 'fazenda' de robôs para espalhar fakenews e interferir nas eleições do Brasil?
Na mesma noite em que foi alvejada, Nadia Beller já havia denunciado sobre as operações ilegais de Cerimedo -- para ela o principal motivo de sua tentativa de assassinato, razão pela qual não perdeu tempo e deu entrevista a diversos canais de jornalismo dentro e fora da Bolívia --, o que foi confirmado quando policiais e membros do Ministério Público tiveram acesso aos dois celulares e, dias depois, chegaram ao interior da terceira residência que o mercenário digital usava em La Paz.
Ainda que a imprensa corporativa com seu viralatismo e lavajatismo parasitário faça vista-grossa, é preciso repercutir no Brasil essas provas e, sobretudo, que as entidades da sociedade civil façam com que o ministro terrivelmente evangélico abandone sua obsessão nada cristã de prevaricar com o acosso a Fábio Lula (e a curiosa repetição da expertise lavajatista de vazamento seletivo dos inquéritos sob sua responsabilidade) e se volte às sucessivas práticas delituosas do 'Zero Hum' [com 'h', por favor!], acintosamente reincidente na produção de mentiras, como durante a campanha de 2022, com a diferença de que o ministro que então presidia o TSE, Alexandre de Moraes, agia com profundo rigor republicano.
É explicitamente vedada pela legislação eleitoral qualquer produção de material de campanha fora do território brasileiro, cuja não observância pode culminar em sanções, inclusive até na cassação da candidatura de quem tiver constatado o descumprimento deliberado. Ou se age preventivamente, ou não haverá tempo para conter a sanha peçonhenta desses verdadeiros delinquentes contumazes.
Na Bolívia, organizações da sociedade civil de diferentes orientações políticas, ideológicas, étnicas e religiosas estão mobilizadas para impedir que Cerimedo seja 'suicidado' ou 'fugido', que, a rigor, é o que desejam ardentemente os donos de legendas de aluguel patrocinadas pelo esquema direitista desde a nefasta Casa Branca, sob a batuta do obcecado Narco Ruivo, o sacro-otário de Estrume.
Mas, por favor, não esqueça, caro/a leitor/a: mexer com um originário é mexer com um vespeiro. Mais cedo ou mais tarde, veremos esses psicopatas do império decadente irem ao Havaí ou à Índia (região de Jabalpur, onde os Beatles teriam conhecido o guru que tornaram célebre Maharishi Yogi, isto é, Mahesh Varma) à procura da paz interior e da luz da ancestralidade para tentar se refugiar de suas neuroses e delírios. Quem viver verá.
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