Corumbá, Terça, 28 de Julho de 2026
Ahmad Schabib Hany

'VOX POPULI, VOX DEI'

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Ahmad Schabib Hany
Não é que o fantoche travestido de CEO, fiel serviçal, e seu amo e senhor das trevas do Cerrado foram pagar mico no palco do desatino? É bom lembrá-los que, como há milênios a história ensina, "a voz do povo é a voz de Deus".
Do alto de seus mais de 90 anos, Seu Jorge, meu saudoso Amigo por quase 40 anos, afirmava sem qualquer constrangimento que o atraso a que Corumbá foi submetida decorre do provincianismo doentio de Campo Grande. Obviamente, referia-se às suas elites, as mesmas que se locupletaram despudoradamente ao longo dos 21 anos do regime de 1964.
Mas a melhor resposta para esse fantoche travestido de CEO e ao amo e senhor das trevas do Cerrado é a que recebi, por uma rede social, de uma Amiga muito querida, digna de citação, e que expressa bem a sabedoria popular, fonte da soberania em todas as suas dimensões: "Este ano arrume outra maneira de estragar sua vida, porque votando no Flávio Bolsonaro você estraga a minha também." (Jovem trabalhadora pantaneira que não se deixa enganar pelos seres bizarros que surfaram na onda lavajatista até atingir o fosso do inominável.)
Se prestarem atenção, as vitórias dos candidatos oriundos dos esquemas da província são asseguradas mediante um acordão em que todos os chefes políticos vivos da capital apoiam um mesmo candidato, condenando o Pantanal ao atraso em que nos encontramos desde o anúncio, por puro casuísmo, da divisão de Mato Grosso, em 1977, como se ainda vivêssemos em uma capitania hereditária.
Desde que o capo napolitano tomou de assalto os destinos deste que pretendia ser 'estado modelo' -- e pelas mãos e desatino das próprias elites se transformou em estado novelo, nas sábias palavras do então Deputado Sérgio Cruz em seu apoio ao saudoso Doutor Plínio Barbosa Martins como candidato a governador nas primeiras eleições diretas de Mato Grosso do Sul, em 1982 --, uma sucessão de seres penados se transformaram em protagonistas, a despeito de sua flagrante mediocridade, da pusilanimidade que sufoca este rincão.
Não que o Doutor Wilson Barbosa Martins, tão digno quanto o irmão, não tivesse estatura de estadista. Pelo contrário, ficou constatada a sua magnanimidade nas duas gestões exercidas (apesar do envolvimento de pessoas ligadas a seu governo no crime que tirou a vida do líder Guarani Marçal de Souza, Tupã'i). Já o Doutor Plínio representava setores mais identificados com os clamores do povo, dos excluídos, razão pela qual foi preterido pelas forças que se adonaram da nova unidade da federação. Até sua eternização ocorreu emblematicamente à véspera do antológico segundo turno de 1998, quando foi derrotado aquele ex-comunista cooptado pelas elites que se prestou para fantoche do esquema que sobreveio às duas gestões populares sul-mato-grossense.
Passados praticamente 20 anos de desonra, prevaricação, conluio e conspurcação reiterados (o Camarada Nery, de saudosa memória, não cansava de alertar que o parente não passava de um gângster mais perigoso que o antecessor) cá estamos a constatar que pior que o capo napolitano é o descendente da oligarquia de jagunços, sem quaisquer escrúpulos. Para deleite dos tecnofascistas que querem tomar o Brasil de assalto, a exemplo do que fazem com nações soberanas que tiveram a ousadia de não seguir o script da farsa neoliberal.
Mas não há mal que dure 100 anos. Tanto o fantoche travestido de CEO quanto o seu amo, senhor das trevas do Cerrado, fazendo jus à sua trajetória funesta, são os maestros no estado de uma banda desafinada e desarticulada cujo fantoche-mor, o Zero-Hum, não convence nem aos seus pares. Próprio de uma familícia de delinquentes compulsivos em que ética se confunde com etiqueta desde aqueles tempos em que o inominável foi adestrado para jagunço do Sylvio Frota, o verme que tentou e atentou contra Ernesto Geisel e foi sumariamente expurgado (taí o único estadista do ciclo de 1964, apesar das execuções que ainda ocorreram em sua gestão, como Vladimir Herzog, sob comando de João Figueiredo, do SNI, de triste memória).
Não custa repetir, que dá gosto: "Este ano arrume outra maneira de estragar sua vida, porque votando no Flávio Bolsonaro você estraga a minha também." (Ana, a Aninha, Amiga de minha querida Amiga, portanto, Amiga minha também.)
'Vox populi, vox Dei'...


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