ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE URUCUM

A história da Estação de Urucum está intimamente ligada à expansão da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB), à ocupação da fronteira oeste brasileira e ao desenvolvimento da mineração no Maciço do Urucum. Embora tenha sido uma estação de pequeno porte, desempenhou papel estratégico no transporte de minérios e na consolidação da ligação ferroviária entre o interior paulista e a fronteira com a Bolívia. No início do século XX, o governo brasileiro buscava integrar o então sul de Mato Grosso ao restante do país. A construção da Estrada de Ferro Itapura–Corumbá, iniciada em 1912, fazia parte desse projeto nacional de ocupação do território e fortalecimento da presença brasileira na região fronteiriça. Em 1914, a ferrovia alcançou Porto Esperança, às margens do rio Paraguai. Entretanto, o trecho final até Corumbá — cerca de 79 quilômetros — permaneceu sem construção durante quase quarenta anos devido às dificuldades financeiras, às condições geográficas e à prioridade dada a outras obras ferroviárias. Em 1917, a Estrada de Ferro Itapura–Corumbá foi incorporada à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que passou a administrar toda a linha entre Bauru (SP) e Porto Esperança.
• Albuquerque;
• Antônio Maria Coelho;
• Urucum;
• Corumbá.
A Estação de Urucum foi implantada no quilômetro 1.309,755 da linha-tronco, a aproximadamente 137 metros de altitude, entre Antônio Maria Coelho e Corumbá. Diferentemente das grandes estações urbanas da Noroeste, Urucum possuía características essencialmente operacionais. O edifício era simples, construído para atender às necessidades da circulação ferroviária e do embarque de cargas. O complexo compreendia:
• prédio da estação;
• plataforma de embarque;
• desvios ferroviários para cruzamento de trens;
• pátio de manobras;
• instalações de apoio aos serviços ferroviários.
Sua localização foi escolhida principalmente por estar próxima às áreas de mineração do Maciço do Urucum.A principal função da Estação de Urucum era atender à produção mineral da região.O Maciço do Urucum abriga uma das maiores reservas brasileiras de:
• manganês;
• minério de ferro;
• calcário;
• outros minerais associados.
Desde a década de 1950, empresas mineradoras passaram a utilizar a ferrovia para transportar o minério até Corumbá e, posteriormente, para outros centros consumidores e portos de exportação. Inicialmente predominava o transporte de manganês, mineral extremamente valorizado na indústria siderúrgica do pós-guerra. Com o crescimento da exploração do minério de ferro nas décadas seguintes, o movimento ferroviário aumentou significativamente. Embora conhecida pelo transporte mineral, a estação também recebeu trens de passageiros.
Nos primeiros anos após sua inauguração, moradores da região, trabalhadores das minas e viajantes utilizavam os trens da Noroeste para deslocamentos entre:
• Corumbá;
• Campo Grande;
• Bauru;
• cidades intermediárias.
Com a expansão das rodovias nas décadas de 1960 e 1970, o movimento de passageiros diminuiu progressivamente.A administração da estação acompanhou as transformações da ferrovia brasileira.
1917–1975
• Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB)
1975–1996
• Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA)
Após 1996
• concessão à empresa Novoeste, posteriormente sucedida por outras concessionárias privadas.
A partir da década de 1990 ocorreram profundas mudanças:
• encerramento dos trens regulares de passageiros;
• redução das atividades administrativas locais;
• centralização das operações ferroviárias;
• utilização praticamente exclusiva para transporte de cargas.
O edifício da estação deixou de exercer sua função original e entrou em processo de abandono. Levantamentos realizados em 2012 registraram que: Os trilhos permaneciam em uso; o pátio ainda servia às operações de carga; o prédio encontrava-se desativado e sem utilização permanente. Mesmo sendo uma estação de dimensões modestas, Urucum possui grande relevância histórica por representar:
• a conclusão da ligação ferroviária entre Bauru e Corumbá;
• a integração da fronteira oeste ao sistema ferroviário nacional;
• o desenvolvimento da mineração no Maciço do Urucum;
• a consolidação da economia mineral de Corumbá durante a segunda metade do século XX.
A estação também testemunhou importantes transformações econômicas da região, desde o auge do transporte ferroviário de passageiros até a especialização da linha no escoamento de minério.
Cronologia
1912 - Início da construção da Estrada de Ferro Itapura–Corumbá.
1914 - Linha alcança Porto Esperança.
1917 - Incorporação à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
1952 - Conclusão do trecho Porto Esperança–Corumbá e inauguração da Estação de Urucum em 15 de dezembro.
Décadas de 1950 – 1980 - Intenso movimento de trens de manganês e minério de ferro.
1975 - Incorporação da Noroeste à RFFSA.
1996 - Privatização da malha ferroviária.
Anos 1990 – 2012 - Encerramento dos serviços regulares de passageiros. Estação registrada como abandonada, com os trilhos ainda operacionais para transporte de cargas.
Esse conjunto de informações evidencia que a Estação de Urucum foi mais do que um simples ponto de parada ferroviária: ela constituiu um elo estratégico entre a exploração mineral do Maciço do Urucum, a economia de Corumbá e a histórica Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. • Fontes: Estação Urucum – Estações Ferroviárias do Brasil, de Ralph Mennucci Giesbrecht.
• Estação Ferroviária de Corumbá (Wikipédia)
• Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil (1960)
• Fotografias e registros históricos de José H. Bellorio, Julio Nogueira e Carlos Roberto Dalia.
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