PEDALAR E VIVER INTENSAMENTE - PANTANAL

O ciclismo vai muito além de um esporte — ele é liberdade, conexão com a natureza e uma forma profunda de autoconhecimento. Dentro desse universo, o cicloturismo se destaca como uma experiência única: pedalar longas distâncias, explorar novos territórios e viver o caminho com intensidade, respeitando o ritmo do corpo e da paisagem. Quando você se permite, este entendimento poderá observar que ao estar sozinho a solidão vai além de uma boa companhia ela é na verdade sua interação entre o seu “EU” e o todo.
No cicloturismo, o destino é importante, mas o que realmente transforma é o percurso. Cada subida vencida, cada quilômetro percorrido e cada encontro inesperado tornam a jornada rica em aprendizados. Diferente do ciclismo esportivo, aqui o foco não é velocidade, mas sim vivência, contemplação e resistência. Outros fatores que fazem parte desta viagem, são as trocas de conhecimento, a antropologia na prática.
Entre os destinos mais fascinantes do Brasil para o cicloturismo está o Pantanal, uma das maiores planícies alagáveis do mundo. Pedalar por essa região é mergulhar em um cenário exuberante, onde a natureza se apresenta de forma intensa e, muitas vezes, imprevisível. A chamada “rota do Pantanal” oferece paisagens únicas, com rios, corixos, lagos, estradas de terra, fauna abundante e um silêncio que convida à introspecção. “Me recordo que na passagem do rio Abobral, próximo a ponte 56 da Estrada Parque, deparei me com um casal de onça pintada, e posso afirmar que até hoje estou pedalando, e se fosse uma corrida contra o relógio eu já estaria consagrado campeão” Adalton Garcia
No entanto, essa experiência exige preparo e atenção redobrada. O ambiente natural do Pantanal traz consigo riscos que precisam ser respeitados. Entre os principais perigos estão os encontros com animais silvestres, como a onça-pintada, o jacaré-do-pantanal e até mesmo a sucuri. Embora ataques sejam raros, o risco existe, principalmente em áreas mais isoladas. Na passagem entre as inúmeras fazendas que contam o Pantanal, sempre é oferecido as mais variadas dificuldades, que vão além do areião, e ou pedras, tais como a transposição do “Maciço do Urucum” e a passagem na Balsa.
Por isso, alguns cuidados são fundamentais:
É essencial planejar bem a rota, informando-se sobre as condições do terreno e clima. Pedalar em grupo é sempre mais seguro do que sozinho, especialmente em regiões remotas. Evitar pedalar ao amanhecer e ao entardecer — horários em que muitos animais estão mais ativos — também reduz riscos. Porém é importante um sistema de comunicação via satélite. No Pantanal constantemente o sinal de internet é interrompido pelas falhas na bolha de transmissão. Neste sentido é sugerido que utilize um sistema integrado conforme o “life360”, que possibilita contato segundo a segundo por satélite.
Outro ponto importante é manter distância da fauna. Nunca tente se aproximar, alimentar ou fotografar animais de forma invasiva. O respeito à natureza é a principal regra para quem deseja atravessar esses territórios com segurança. Neste sentido, as recomendações é que o ciclo turista leve consigo sistema de ar comprimido que possibilita emitir ondas sonoras em grandes decibéis, que auxilia para afugentar alguns tipos de animais.
Além dos animais, o ciclo turista também deve estar atento a fatores como desidratação, insolação, estradas isoladas, falta de sinal de celular e mudanças climáticas bruscas. Levar equipamentos adequados — como kit de primeiros socorros, água, GPS ou mapas offline — pode fazer toda a diferença em situações inesperadas. Carregar pequenos instrumentos como fogão a álcool e alimento extra. Essas medidas simples fazem a diferença. “Sempre que viajo levo comigo cápsulas de cloro para purificar água” esclarece Adalton Garcia.
O cicloturismo no Pantanal é uma experiência transformadora, mas exige consciência, preparo e humildade diante da natureza. Pedalar por ali é entender que somos apenas visitantes em um ambiente que segue suas próprias leis. Não alterar o local, faz com que o ciclo turista seja bem-vindo para outras experiências. No fim, mais do que chegar ao destino, o verdadeiro valor está na jornada, naquilo que se aprende, no que se supera e na conexão profunda com o mundo ao redor.