Corumbá, Segunda, 27 de Julho de 2026
Reginaldo Coutinho

CORUMBAENSE: 20 ANOS DE UM TÍTULO QUE DEVOLVEU O GALO À ELITE

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Reginaldo Coutinho

O futebol de Corumbá é feito de capítulos inesquecíveis, e poucos são tão marcantes quanto a conquista do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 1984 e o título da Série B de 2006, que marcou o retorno do Corumbaense Futebol Clube à elite estadual após oito temporadas de ausência.

A história da reconquista começou a ser escrita antes mesmo da bola rolar. Em 2004, durante as comemorações dos 20 anos do título estadual de 1984, um movimento ganhou força nos microfones da Rádio Comunitária FM Pantanal 87,9. No programa No Mundo da Bola, conduzido por este colunista, o então presidente Jorge Freitas participou de entrevistas que reacenderam a esperança da torcida e fortaleceram o debate sobre a volta do Corumbaense ao futebol profissional.

O entusiasmo tomou conta da cidade e, em 2005, o clube voltou a disputar a Segunda Divisão do Campeonato Sul-Mato-Grossense. A campanha terminou entre os quatro semifinalistas, mas a expectativa de acesso acabou frustrada diante da mudança nos critérios da competição. Mesmo assim, a diretoria não desistiu do projeto.

Em 2006, o Corumbaense iniciou a temporada com um elenco modesto, formado por atletas da casa e alguns reforços. Os primeiros resultados não foram animadores, e uma derrota expressiva para o União Marambaia, de Bonito, provocou uma profunda reformulação no departamento de futebol.

O técnico Cláudio Mineiro deixou o comando da equipe, dando lugar ao experiente Da Silva, Negão auxiliar técnico, Preparador Físico André, Preparador de Goleiros Zé Ricardo, Massagista Jorge Esker (In Memoria) e o mordomo Puka, Vieram reforços importantes, como Emerson, Thalles, Claudinho, o goleiro Roni, Luiz Carlos e Waldir, elevando o nível técnico do elenco.

O amistoso contra o Flamenguinho, no estádio Piranhão, em Miranda, foi um divisor de águas. A goleada aplicada pelo Corumbaense mostrou que uma nova equipe surgia, pronta para lutar pelo acesso.

Ex-prefeito Ruiter Cunha entregando o troféu de campeão para o capitão Luiz Carlos

Mas foi em Ivinhema que a campanha ganhou contornos épicos. Em uma partida emocionante, o Corumbaense buscou o empate por 2 a 2 aos 49 minutos do segundo tempo, com gol de Thalles. O resultado garantiu um ponto precioso, mas o apito final foi seguido por cenas lamentáveis. Integrantes da arbitragem foram perseguidos e, durante a saída da delegação, o ônibus do Corumbaense foi apedrejado. Vidros foram quebrados e membros da delegação ficaram feridos, entre eles o jornalista Marcos Antônio Silvestre, hoje saudosa lembrança da imprensa esportiva Sul-mato-grossense.

A rápida ação do motorista e o apoio da Polícia Militar foram fundamentais para garantir a segurança da equipe até a saída de Ivinhema. Um episódio que ficará marcado como um dos momentos mais tristes do futebol sul-mato-grossense, quando a violência tentou superar o esporte.

Superadas as dificuldades, o Galo seguiu firme. Nas semifinais eliminou o União Marambaia 9 que teve o seu mando de campo suspenso em razão de brigas no último jogo de classificação, teve o mando para as moreninhas) e garantiu vaga na decisão contra o Paranaíba.

Na primeira partida da final, uma atuação memorável: vitória por 4 a 0, com dois gols de Tuia, um de Paulo e outro de Emerson. No jogo de volta, em um Arthur Marinho completamente lotado, nova vitória por 2 a 1, com gols de Luiz Carlos e Ló, confirmando o título da Série B e o retorno do Corumbaense à Primeira Divisão. Emerson foi o maestro da Equipe, assim como Marcio (Vaca) foi para os Jogos finais em razão da contusão de Roni.

Passados vinte anos daquela conquista, é justo reconhecer o trabalho coletivo que tornou esse sonho realidade. Os atletas, especialmente os pratas da casa, demonstraram determinação e orgulho em vestir a camisa alvinegra. A diretoria também teve papel decisivo, com destaque para o presidente Jorge Freitas e o diretor de futebol Francisco Vieira Neto (Nikito), que lideraram um projeto responsável e vitorioso, que também teve a participação efetiva do Ex-Prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (In Memória), através da FUNEC, do então Diretor Presidente, Prof. Heliney Miranda Junior, incansável no desenvolvimento das Politicas Públicas voltadas para o Esporte que perduram até hoje.

Mais do que um título, 2006 representou a volta da autoestima do futebol corumbaense. Foi a prova de que, com planejamento, união e paixão, o Galo conseguiu dar a volta por cima e escrever mais um capítulo inesquecível de sua história.

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