Corumbá, Quinta, 04 de Junho de 2026
Cultura

Américo Calheiros lança o livro “Suicígena” na próxima terça-feira

Obra reúne poemas que alertam para um tema extremamente importante no contexto dos conflitos por terra que permeiam Mato Grosso do Sul: o suicídio indígena.

Em Mato Grosso do Sul, ocorreram, em média, 24 casos de suicídio a cada 100 mil habitantes indígenas, de acordo com dados do Relatório de Violência contra Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), referentes ao ano de 2022. Esse índice é três vezes maior do que a taxa da sociedade brasileira em geral para o mesmo ano, de oito suicídios a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foram esses dados que chamaram atenção do poeta, escritor e teatrólogo Américo Calheiros, que transformou sua angústia no livro “Suicígena”, que será lançado na próxima terça-feira (9), a partir das 19 horas, na sede da ASL.

O termo “suicígena” é um neologismo criado pelo próprio autor, da fusão parcial das palavras suicídio e indígena. “É a síntese perfeita do espírito do livro, cuja ideia surgiu sob a égide dos suicídios indígenas em Mato Grosso do Sul, à medida que fui tomando contato, pela imprensa, desse fato e também das precárias condições de vida dos indígenas, que são o imediato pano de fundo dessa situação e fator determinante para a perda da vontade de viver das populações indígenas”, resume o autor.

Américo Calheiros - Fotos: Raquel de Souza

Segundo Américo, o livro é formado por poemas que tratam não apenas sobre suicídio, mas também sobre o que sugere e representa a cultura indígena. É a primeira vez que ele escreve sobre essa temática, entendendo que ela precisa ganhar cada vez mais espaço “na agenda social, educacional, cultural e política do planeta”. “Foco de preconceitos dos mais diversos, de assoladora discriminação, do desinteresse e desconsideração dos poderes constituídos, a população indígenafoi, no decorrer da história, alvo dos maiores genocídios, que quase a exterminaram. Movido pelo sentimento que tudo isso me provocou, recorri à manifestação poética, para tocar mentes e corações alheios à essa questão”, completa.

A intenção é trazer a problemática para o centro do debate, para que sejam implementadas políticas públicas mais eficientes e para que se encontrem soluções mais efetivas para os problemas enfrentados pelas populações indígenas. “A sociedade mundial tem uma dívida incomensurável com os povos originários. Claro que as vozes indígenas já estão dizendo o que precisam e o que querem, só precisam, efetivamente, ser ouvidas. Se a minha poesia contribuir, que seja um pouco, com essa causa, fico feliz”, detalha Calheiros.

“A poesia contida na obra não busca o consolo fácil nem a metáfora ornamental. Ela é lâmina afiada, e brasa sobre a pele da indiferença. O poeta Américo Calheiros, ciente da responsabilidade de sua voz, transforma em palavra o luto e a dor dos indígenas que, despojados de suas terras, de seus deuses e de sua dignidade, veem na morte seu último refúgio”, define a escritora e ensaísta Ana Maria Bernadelli, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e responsável pela apresentação do livro “Suicígena”.

Serviço: O livro “Suicígena”, de autoria do escritor Américo Calheiros, publicado pela Life Editora, será lançadona próxima terça-feira, dia 9 de junho, a partir das 19 horas, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (Rua 14 de Julho, 4.653 – Altos do São Francisco). Evento aberto ao público e com entrada gratuita.

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