Corumbá, Quinta, 04 de Junho de 2026
Cultura

Após seis anos na Cia de Dança do Pantanal, Agustín Salcedo celebra uma trajetória marcada por aprendizado, pertencimento e propósito

Cada sorriso, cada ensaio, foi uma troca de vida”, relembra o bailarino argentino.

Argentino de alma leve e pés fortes, Agustín Salcedo encontrou no Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, em Corumbá (MS), o espaço que transformou sua trajetória artística e pessoal. Desde 2019, quando passou a integrar a Cia de Dança do Pantanal, o bailarino coleciona experiências marcantes que cruzaram fronteiras,  do Pantanal a Portugal, do Rio a Paris, e que hoje o levam a voar ainda mais alto no mundo da dança.

“O Moinho Cultural representa transformação. Cresci e evoluí muito ali, tanto artisticamente quanto pessoalmente. Foram seis anos cheios de amor e suor, de festivais, aulas, viagens e apresentações. Cada sorriso, cada ensaio, foi uma troca de vida”, relembra o bailarino argentino.

A história de Agustín com o Moinho Cultural começou em 2019, quando foi contratado para dançar na Cia de Dança do Pantanal. “Lembro de entrar na instituição, um prédio enorme, cheio de vida e de cores. A sala de ensaio era linda. Minhas primeiras lembranças são dos preparativos para o festival de dança em Portugal. Foi ali que conheci a madrinha do Moinho Cultural, Beatriz de Almeida, e o coreógrafo Chico Neller, dois artistas que marcaram meu início”, contou. 

Durante seis anos, Agustín viveu intensamente a rotina artística da companhia. Participou de seis edições do Moinho in Concert, de festas, ensaios e inúmeras viagens, fortalecendo laços que ele descreve como familiares. “A Cia leva o Pantanal para o mundo, e isso tem uma importância enorme. É conhecer, aprender e preservar um bioma tão essencial”, destacou.

Intercâmbios e voos internacionais

De Portugal a Paris, Agustín representa uma geração de artistas formados no Moinho Cultural que cruzam fronteiras com propósito. “O Moinho Cultural, e a Márcia, sempre incentivaram o intercâmbio cultural e o diálogo com outras realidades, criando pontes e permitindo trocas que ampliam nossa visão como artistas e como pessoas”, explica o bailarino.

 Agustín Salcedo destaca que os intercâmbios foram experiências transformadoras. Ele teve a oportunidade de aprender com profissionais de diferentes países, e de entender a dança como uma linguagem universal. “Cada aula, cada ensaio, foi um aprendizado sobre corpo, cultura e humanidade. Tive trocas com pessoas de Portugal, França, Itália, Espanha, Coreia do Sul e Canadá — e cada uma foi única. Tenho certeza de que levo um pouco de cada comigo”, falou.

Entre as memórias mais marcantes, estão a primeira viagem a Portugal e o momento em que foi escolhido para interpretar Fernão Capelo Gaivota, personagem que se tornou símbolo de sua trajetória. “Também guardo com carinho minha primeira viagem ao Rio, junto da Márcia e de dois colegas, e a viagem a Paris, em 2022, que foi inesquecível, especialmente por estar junto dos meus amigos Wellington Júlio e Núbia Santos. Todos os espetáculos da companhia foram marcantes pra mim”, lembra.

A arte como caminho de vida

Hoje, Agustín segue sua jornada artística com o mesmo brilho que o acompanhou desde o Pantanal, levando o nome do Moinho Cultural  e da Cia de Dança do Pantanal por onde passa. “Quero continuar me desafiando, criando novas obras e colaborando com outros artistas. Também tenho vontade de fortalecer projetos que unam arte, educação e impacto social, inspirando novas gerações assim como um dia fui inspirado no Moinho Cultural”, afirmou.

Mesmo distante fisicamente, o vínculo com o Instituto segue pulsando. “O vínculo com o Moinho é permanente. Tenho um carinho enorme pela Cia e pela instituição. Carrego comigo a essência do que vivi ali e quero voltar um dia para compartilhar tudo o que aprendi”, completou.

Ao olhar para trás, o bailarino reconhece no Moinho Cultural um divisor de caminhos, um espaço que transforma vidas pela arte. “Vejo o Moinho Cultural como uma porta aberta para o futuro. Ele forma artistas e cidadãos. O impacto vai além da dança, da música ou da literatura, é sobre amor, cuidado, garra e esperança. É uma constante transformação”, declarou.

Aos jovens que sonham trilhar o mesmo caminho, Agustín deixa uma mensagem carregada de afeto e propósito. “Acreditem no processo. Nem sempre o caminho será fácil, mas cada passo tem valor. A dança e a música são mais do que técnica, são entrega, verdade e amor. Persistam, estudem, se escutem e deixem que a arte transforme vocês assim como transformou a mim. Sonhem grande, com humildade e carinho”, finaliza.

Em dezembro, o bailarino retorna a Corumbá para abrilhantar o espetáculo Moinho in Concert. 

Sobre o Moinho Cultural

Fundado há 21 anos, o Instituto Moinho Cultural Sul-Americano é uma organização da sociedade civil que atua nos territórios fronteiriços do Brasil para a transformação positiva da realidade local, dando voz e vez às crianças, adolescentes e jovens, por meio de acesso a bens culturais, conhecimento tecnológico, noções de empreendedorismo e cidadania plena. Desde o início das atividades, mais de 25 mil crianças e adolescentes já foram atendidos pela instituição.

O Moinho Cultural tem o patrocínio master do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, além do patrocínio da BTG Pactual, LHG Mining, Suzano, Too Seguros e RealH. O projeto tem parceria com Criança Esperança, J.Macêdo, Fecomércio – Sesc, Sicredi, Sebrae e Sesi, apoio cultural Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul e Governo do Mato Grosso do Sul, parceria institucional da Prefeitura de Corumbá, Prefeitura de Ladário, Prefeitura de Puerto Suárez, Prefeitura de Puerto Quijarro, Instituto Homem Pantaneiro, IFMS, UFMS, Acaia Pantanal e outros doadores pessoa física e jurídica.

Sobre a Cia De Dança do Pantanal

A Cia de Dança do Pantanal foi criada em 2017, na cidade de Corumbá/MS, fronteira com a Bolívia, sendo uma das ações integradas do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano. O intuito desde o início é de proporcionar acesso e oportunidade de profissionalização de bailarinos oriundos de projetos sociais sul-americanos, bem como representar o território pantaneiro, divulgando a dança com repertórios que incluem peças neoclássicas e contemporâneas, criadas por coreógrafos nacionais e internacionais.

A Companhia se propõe a explorar e focar em seus trabalhos contemporâneos um dos biomas mais preciosos da Humanidade, o Pantanal, que se estende pelo Brasil, Bolívia e Paraguai, países que têm o estado de Mato Grosso do Sul como adjacente e é considerada a maior área inundável do planeta. A “COMPANHIA DE DANÇA DO PANTANAL” é um espaço onde artistas locais, nacionais e internacionais, formados com um alto grau de conhecimento técnico, artístico e profissional nos padrões internacionais representam Corumbá/MS e o Brasil, dentro e fora do país, para um público cada vez mais exigente de qualidade, excelência e grandeza no Brasil e no mundo.

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