Artesã de MS transforma malotes dos Correios em moda sustentável e social e tem seus produtos na COP 30
Da formação no Moinho Cultural ao reconhecimento internacional, a trajetória da artesã Lucienne Lopes une arte, empreendedorismo e sustentabilidade com apoio do Sebrae/MS.

De malote postal a acessório de moda com propósito. Essa é a proposta da parceria entre o Instituto Moinho Cultural Sul-Americano e a artesã Lucienne Lopes Teixeira, de 57 anos, à frente do Lú Lopes Ateliê, com apoio do Sebrae/MS. A iniciativa transformou malotes de lona dos Correios, que já não estavam em uso, em mini mochilas, bolsas rolê e nécessaires sustentáveis e cheias de história.
Cada peça carrega consigo muito mais que estilo, é fruto de um processo de reaproveitamento criativo que costura histórias de transformação, cultura e sustentabilidade. Ao adquirir os produtos, o público contribui diretamente para a manutenção das ações do Moinho Cultural, eleito a melhor ONG de Cultura do Brasil, que há 21 anos transforma vidas na fronteira por meio da arte, da educação e do empreendedorismo criativo.
“Esse projeto une sustentabilidade, empreendedorismo e impacto social, três valores que norteiam nosso trabalho. É uma forma inovadora de transformar resíduos em oportunidades, mostrando que moda e consciência podem caminhar juntas”, destaca Mônica Macedo, diretora executiva do Instituto.
Onde tudo começou — Parceira do Moinho Cultural, Lucienne Lopes Teixeira iniciou sua história com a costura em 2008, quando participou de cursos de reaproveitamento de materiais oferecidos pelo Instituto.
“Tudo começou no Moinho Cultural. Eu aprendi a trabalhar com malotes e banners, e percebi que dava pra criar algo bonito e útil com o que seria descartado. Foi ali que eu encontrei minha vocação”, relembra.
Com o aprendizado, Lucienne ajudou a fundar a Cooperativa Vila Moinho, formada por participantes de diferentes áreas, do artesanato à gastronomia e serigrafia, e chegou a atuar na confecção de figurinos para os espetáculos do Moinho Concert.
“A gente fez figurinos inteiros, trabalhou com o Franklin Melo, ajudou na produção. Era uma época de muita troca, de muito aprendizado. O Moinho Cultural me ensinou que a arte e o trabalho caminham juntos”, pontuou.
Depois de mudar-se para Campo Grande, ela seguiu criando e aperfeiçoando o que aprendeu no Moinho Cultural, descobrindo seu próprio estilo. “No começo eu não tinha uma identidade. Fazia florzinha, coisinhas simples, e ninguém se interessava. Um dia uma amiga me mostrou umas toalhas com capivaras bordadas. A partir dali, comecei a criar meus próprios bichos, onça, arara, tuiuiú, tamanduá. São todos do Pantanal, e isso virou minha marca”, explica Lucienne.
Hoje, o Ateliê é conhecido por suas peças exclusivas, bordadas com animais regionais e produzidas manualmente. “O rapaz que borda pra mim faz os desenhos só pro meu ateliê. Ninguém mais tem. Cada peça é única, e as pessoas se encantam quando veem os bichinhos. É a nossa identidade pantaneira costurada na lona”, afirmou.
“A Lu Lopes é atendida pelo programa Move Mais, voltado à prospecção comercial e à abertura de novos mercados para pequenos negócios. Durante o atendimento, nossa agente identificou dificuldades na obtenção de matéria-prima, e a articulação com o Moinho Cultural veio como uma solução fantástica”, explicou Isabella Carvalho Fernandes Montello, gerente de Competitividade e Inovação do Sebrae/MS.
A partir dessa parceria, foi possível viabilizar o reaproveitamento dos malotes de lona dos Correios para a produção das novas peças. A cada dez produtos confeccionados, Lucienne fará a doação de uma peça para a loja colaborativa do Moinho Cultural, fortalecendo o ciclo de economia criativa e sustentabilidade.
Isabella destaca que o Sebrae tem buscado apoiar empreendedores que unem propósito, impacto social e sustentabilidade. “Nosso papel é ajudá-los a manter também a viabilidade econômica de seus negócios. Essa parceria mostra como o trabalho em rede fortalece tanto a competitividade quanto o propósito de quem empreende com consciência”, ressaltou.
Onde encontrar - Para além da COP30, as peças da artesã podem ser adquiridas por meio das redes sociais, clicando no link. Lú também participa de feiras de artesanato em Campo Grande.
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