Comunidade Quilombola Família Ozório celebra São João com fé, ancestralidade e tradicional banho no Rio Paraguai
Nos dias 22 e 23 de junho, moradores, visitantes e lideranças comunitárias se reunirão para celebrar a fé, a ancestralidade e a resistência de um povo que mantém vivas suas tradições há décadas.
A programação integra as ações do projeto Festividades Religiosas: Saberes e Ancestralidade, realizado pelo Grupo Trabalho e Estudos Zumbi (Grupo TEZ). A iniciativa vem apoiando celebrações tradicionais em comunidades negras e povos tradicionais de Mato Grosso do Sul, fortalecendo práticas culturais que unem religiosidade, memória e identidade coletiva.
No dia 22 de junho, a programação tem início com uma roda de conversa sobre festividades populares e valorização da cultura afro-brasileira, realizada no IFMS de Corumbá e mediada pela presidenta do Grupo TEZ, Bartolina Ramalho Catanante (Bartô). Já no dia 23, a comunidade ribeirinha quilombola recebe a oficina “Entre o Terço e a Cultura Quilombola: Expressões de Religiosidade no Festejo de São João da Família Ozório”, conduzida pelo professor e pesquisador Maurício Macedo Vieira.
Mas é ao cair da noite que a tradição ganha ainda mais força. Após a reza em homenagem a São João Batista e o momento de confraternização entre famílias e visitantes, a comunidade segue para um dos rituais mais emblemáticos do Pantanal: o Banho de São João, realizado nas águas do Rio Paraguai.
Para Laycillia, integrante da comunidade, a festa representa muito mais do que uma celebração religiosa. “A Festa de São João representa a união, a fé e o fortalecimento dos laços comunitários da Família Ozório. Mais do que uma celebração religiosa, ela é um momento de encontro entre gerações, onde são compartilhadas histórias, costumes, músicas, danças e saberes herdados dos nossos ancestrais. Às margens do Rio Paraguai, a festa reafirma nossa identidade quilombola, valoriza nossa trajetória de resistência e mantém viva a memória daqueles que construíram e preservaram nossa comunidade ao longo dos anos.”
Entre as tradições preservadas pela comunidade, o Banho de São João ocupa um lugar especial. Realizado anualmente na noite do dia 23 de junho, o ritual reúne fé, espiritualidade e conexão com a natureza.
Para a presidenta do Grupo TEZ, Bartolina Ramalho Catanante, a professora Bartô, apoiar celebrações como a da Família Ozório significa contribuir para a preservação de patrimônios culturais vivos que ajudam a contar a história da população negra em Mato Grosso do Sul.
“Quando apoiamos uma festividade tradicional como a de São João da Família Ozório, estamos fortalecendo uma memória coletiva construída ao longo de gerações. Essas manifestações são espaços de fé, mas também de transmissão de conhecimentos, de valorização da ancestralidade e de fortalecimento da identidade quilombola. São tradições que precisam ser reconhecidas, respeitadas e preservadas”, afirma.
Segundo Bartô, o projeto Festividades busca justamente promover esse diálogo entre cultura, educação e memória. “As atividades formativas ajudam a refletir sobre a importância dessas celebrações para a construção da nossa história. É uma oportunidade para que os mais jovens compreendam suas raízes e para que os visitantes conheçam a riqueza cultural presente nas comunidades tradicionais.”
A própria comunidade reconhece a importância dessas ações. Para Laycillia, os espaços de diálogo promovidos pelo projeto ajudam a fortalecer a continuidade dos saberes ancestrais. “Refletir sobre nossas tradições é fundamental para fortalecer a identidade quilombola e garantir que os conhecimentos ancestrais continuem vivos. As atividades apoiadas pelo Grupo TEZ permitem que os mais jovens conheçam suas raízes e compreendam a importância de preservar sua cultura. Além disso, compartilhar esses saberes com os visitantes contribui para o respeito à diversidade cultural, combate preconceitos e amplia o reconhecimento da riqueza histórica e cultural da comunidade.”
Entre rezas, histórias, cantos e o encontro das águas com a fé, a celebração de São João da Família Ozório reafirma uma tradição que atravessa gerações. No coração do Pantanal, a comunidade mantém viva uma herança construída pela força dos ancestrais e renovada, ano após ano, pelo compromisso de preservar sua cultura, sua memória e seu território.
Festividades Religiosas: Saberes e Ancestralidade conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), com execução do Governo do Estado, por meio da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).
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