Documentário destaca o protagonismo feminino no Candomblé de Kétu e propõe reflexão sobre intolerância religiosa
Em fase de pós-produção, o curta tem estreia prevista em setembro.
O filme acompanha personagens femininas que conduzem o público por práticas centrais do Candomblé, como o jogo de búzios, o uso ritual das ervas, os banhos de limpeza espiritual, a cozinha sagrada, os cantos, as danças e as vestimentas que expressam identidade, proteção e pertencimento.
Mais do que registrar ritos e saberes, o documentário busca ampliar o debate sobre o preconceito e a intolerância que ainda atingem as religiões de matriz africana no Brasil. Apesar de sua profunda contribuição para a formação cultural do país, essas tradições continuam sendo alvo de estigmatização e desinformação.
“Este filme nasce do desejo de mostrar o Candomblé a partir da perspectiva de quem sustenta essa tradição no cotidiano: as mulheres. São elas que guardam conhecimentos, acolhem, orientam e mantêm viva uma herança ancestral que ajudou a formar a identidade cultural brasileira. Ao mesmo tempo, o documentário é um convite à reflexão sobre o respeito à diversidade religiosa e sobre a urgência de combater preconceitos que ainda persistem”, conta Ana Paula Araújo.
Ao valorizar essas vozes e rituais, Candomblé por Elas contribui para o reconhecimento da presença afro-brasileira na formação cultural de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, muitas vezes invisibilizada nas narrativas oficiais.
O projeto foi apresentado pela produtora Vânia Jucá e contemplado pelo Edital nº 24/2024 - Fomento à Cultura Popular, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
O lançamento do documentário está previsto para setembro deste ano.
Candomblé por Elas apresenta os fundamentos do Candomblé da nação Kétu em Campo Grande (MS) por meio das mulheres que preservam e transmitem seus saberes ancestrais. Ao abordar elementos como o jogo de búzios, as ervas e banhos, a comida ritual, a dança e as vestimentas sagradas, o documentário constrói um olhar sensível sobre a ancestralidade, a espiritualidade e a centralidade do feminino na manutenção da tradição.
Ficha técnica
Produção: Vânia Jucá
Direção: Elis Regina Nogueira
Roteiro: Ana Paula Araújo e Mari Saldanha
Direção de Fotografia: Elis Regina Nogueira e João Paulo Gonçalves
Som Direto: Laura Cristina
Still e Making Of: Vânia Jucá
Design Gráfico: Polca
Crédito Fotos: Vânia Jucá
Nas imagens:
Regina Jesus Xavier - Iyalorisá Regina d’Osum Opará
Rosângela Jesus Xavier - Iyalorisá Rosângela d’Jagun com Oyá
Beatriz de Souza Rodrigues - Iyabasse do Ile Sola
Cris Guimarães - Dofona de Oyá
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