Corumbá, Sexta, 04 de Setembro de 2026
Cultura

Sabores Sem Fronteiras chega a Corumbá em nova etapa de captações

Documentário sul-mato-grossense mergulha na cultura alimentar de quatro mulheres das regiões fronteiriças com Paraguai e Bolívia.

Com direção e argumento de Elis Regina Nogueira, o longa-metragem registra as trocas culturais, os ingredientes, os modos de preparo e os sabores que fazem da culinária fronteiriça uma verdadeira representação de identidade, convivência e miscigenação.
“Cada cidade nos revela um universo de sabores e histórias, mas é nas personagens que encontramos a verdadeira riqueza dessas fronteiras. Aqui em Corumbá, por exemplo, conhecemos Candelária Lemos, que aprendeu com sua mãe, dona Arialba, a preparar a saltenha boliviana — receita que ela mesma adaptou, com menos açúcar e mais pimenta. Trabalhando numa padaria em Coxim, Dona Arialba manteve a tradição por 40 anos, e agora vê sua filha dar continuidade ao legado da receita. É esse movimento — o respeito à herança e a liberdade de reinventar — que torna a culinária um registro histórico vivo”, conta Elis Regina.
Com foco em quarto personagens – duas na região de Corumbá e Bolívia, cujas cenas estão sendo captadas nesta jornada - a proposta é revelar como os saberes culinários circulam entre elas, criando sabores únicos que sintetizam a convivência e a história das regiões de fronteira. Pratos como a chipa, a sopa paraguaia, o majadito, a saltenha e o massaco bolivianos compõem o cardápio dessa investigação sensorial, histórica, afetiva e, sobretudo, humana. 
“Cada cidade nos revela um universo de sabores e histórias, mas é nas personagens que encontramos a verdadeira riqueza dessas fronteiras. Aqui em Corumbá, por exemplo, conhecemos Candelária Lemos, que aprendeu com sua mãe, dona Arialba, a preparar a saltenha boliviana — receita que ela mesma adaptou, com menos açúcar e mais pimenta. Trabalhando numa padaria em Coxim, Dona Arialba manteve a tradição por 40 anos, e agora vê sua filha dar continuidade ao legado da receita. É esse movimento — o respeito à herança e a liberdade de reinventar — que torna a culinária um registro histórico vivo”, conta Elis Regina.
Além de registrar sabores e saberes, o filme valoriza a culinária como patrimônio imaterial e vetor de identidade e pertencimento. “Na Bolívia, Martha Parabá Salvatierra nos conta como mantém vivas suas raízes bolivianas. Uma mulher forte, alegre e batalhadora, que entre o trabalho como faxineira e a produção de marmitas para vender, não deixa faltar no dia a dia de sua família pratos típicos bolivianos como o massaco de banana verde, tradição que ela já transmitiu pro neto Daniel Inácio, de apenas 8 anos. Para ela, comida é bem mais que alimento: é símbolo de união e de honra às origens”, completa Elis.
A estreia do documentário está prevista para maio de 2026, com exibições em festivais, escolas, universidades e plataformas digitais. Como contrapartida educativa, o projeto ainda prevê uma cartilha interativa em formato de e-book — voltada para professores e estudantes — com trechos do filme, referências complementares e provocações sobre o papel da comida na construção cultural dos povos.
Este projeto foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do edital do Governo de Mato Grosso do Sul pela Setescc e Fundação de Cultura,  com recursos do Ministério da Cultura – Governo Federal.
Ficha Técnica
Direção:
Elis Regina é jornalista e fotógrafa sul-mato-grossense. Dirige o documentário Sabores Sem Fronteiras e já assinou a direção da série Rota Gastronômica Pantaneira e do documentário Cozinha, Lugar de Saberes e Sabores. Trabalhou com still e making of em filmes como Olho Nu (Joel Pizzini), Em Nome da Lei (Sérgio Rezende), Cabeça a Prêmio (Marco Ricca) e Brava Gente Brasileira (Lúcia Murat).
Produção Executiva e Pesquisa de Personagens:
Bianca Machado atua no mercado audiovisual há quase 3 décadas. Foi produtora local de Brava Gente BrasileiraCabeça à Prêmio (Marco Ricca), As Marias (Dannon Lacerda), Quatro Luas Pantaneiras e produtora geral do curta Vípuxovuko (Anderson Terena e Dannon Lacerda). É ela quem desbrava o território antes da câmera chegar.
Assistência de Direção e Produção:
Fabi Rezek é publicitária e fotógrafa com 27 anos de experiência em curtas, documentários, publicidade e campanhas políticas. Atua com organização, gestão de equipes e otimização de recursos, sempre guiada pela criatividade, segurança e excelência nos processos.
Direção de Fotografia:
Elis Regina e João Paulo Gonçalves.
João Paulo é diretor de fotografia com experiência em filmes publicitários e documentários como Alma da Nossa Música – Marcelo Loureiro (FIC-MS) e As Marias (Festival do Rio, Bonito CineSur). Atuou também na captação de imagens para O Grito (Netflix) e São Julião – A Arte de Reabilitar Vidas (Lei Paulo Gustavo). É ele também quem pilota a câmera.
Vídeos de Making Of: 
Lívia Campos é fotógrafa e atua na criação de conteúdo audiovisual para marcas, instituições e eventos culturais. Com olhar sensível e foco em contar histórias reais por meio da imagem, tem experiência sólida em fotografia documental, de festivais e retratos, além de produção, roteirização e edição de vídeos com estética criativa. Seja com câmeras profissionais ou de celular, ela adapta a linguagem de acordo com cada projeto.
Som Direto:
Laura Cristina é formada pela primeira turma do curso de Audiovisual da UFMS. Atua com som direto, trilha sonora, mixagem e sound design. Trabalhou nos longas Enigmas no Rolê (2023), Do Sul (2024) e no curta Colar de Pérolas (2024). Desenvolve pesquisa em cinema e educação, ministrando oficinas em escolas públicas e instituições como o IFMS e o SESC Lageado.
Still e Making Of:
Dafne Godoy é formanda em Audiovisual pela UFMS. Estagiou no Museu da Imagem e do Som de MS, foi monitora da disciplina de Preservação Audiovisual e atua em fotografia. Assinou o making of de Sou Eu Quem Queima na Noite (2022) e a direção de fotografia dos curtas Os Pombos (2024) e Campo Cênico (2024), além da exposição fotográfica “Essa droga de sonho não vai dar em nada – uma quase Campo Grande” (2025).
Apoio Operacional: 
Jefferson Gomes é ex-jogador de futebol e hoje joga em várias posições no set: é responsável pelo transporte da equipe, carrega cabos, segura rebatedores e ainda anima os bastidores. Mesmo sem vir do audiovisual, virou peça-chave na logística e na boa energia das gravações.

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