Loteamentos e apartamentos movimentam mais de R$ 1 bilhão na Capital

O mercado de imóveis na capital sul-mato-grossense vive um momento de forte expansão.
Em 12 meses, loteamentos e apartamentos movimentaram R$ 1,7 bilhão, com cerca de R$ 1,1 bilhão vindos do segmento vertical (prédios e apartamentos) e mais de R$ 600 milhões dos loteamentos residenciais.
Os dados fazem parte do Censo Imobiliário do 2º trimestre de 2025, estudo da Brain Inteligência Estratégica em parceria com o Sinduscon-MS, e foram divulgados por veículos locais no início de setembro.
Entre os destaques, o levantamento mostra estoques em nível crítico, podendo se esgotar em menos de quatro meses se não houver novos lançamentos, e intenção de compra recorde na cidade.
O que explica o “R$ 1,7 bi”
O número bilionário é a soma do valor geral de vendas (VGV) de dois eixos que se retroalimentam:
- Vertical (R$ 1,1 bi): o mercado de apartamentos cresceu com vendas 20% maiores em relação ao ano anterior e valorização de até 36% no m² para unidades de dois dormitórios, evidenciando demanda aquecida por tipologias compactas e funcionais.
- Horizontal (600 mi+): os loteamentos residenciais quase dobraram de desempenho frente ao ciclo anterior, beneficiados pelo apetite de famílias que buscam terreno para construir a casa própria e por um mix de produtos mais acessível na periferia imediata.
Esse dinamismo ocorre em um pano de fundo nacional positivo: no 1º semestre de 2025, o Brasil registrou alta de 6,8% em lançamentos e 9,6% em vendas (CBIC), com o Minha Casa, Minha Vida ganhando tração e ajudando a sustentar o volume de negócios nas capitais.
Sinal amarelo: estoque baixo e pressão de preços
O Censo aponta que, na ausência de novos lançamentos, o estoque de imóveis disponíveis na capital pode acabar em menos de quatro meses, um patamar que pressiona preços e reduz o tempo de decisão do comprador.
A pesquisa também registra intenção de compra de 49% (maior índice da série), com m² médio em torno de R$ 10,1 mil e valorização acumulada de 11% em 2024 e 14% em 2025.
Na prática, mais demanda perseguindo menos oferta é a fórmula clássica para repassar preços.
Do lado da percepção do morador, 84% consideram “altos” os valores dos imóveis na cidade, segundo enquete do Campo Grande News publicada logo após a divulgação do Censo, um termômetro de como a aceleração de preços tem sido sentida na ponta.
Apartamentos x loteamentos: como cada segmento puxa o ciclo
Apartamentos (vertical):
- Ganho de tração em unidades de 2 dormitórios, produto que equilibra tíquete e metragem.
- Valorização rápida e giro de estoque mais curto em bairros adensados, próximos a eixos de serviço e trabalho.
- MCMV com participação relevante no mix, mitigando parte do impacto dos juros ao oferecer condições de crédito mais estáveis.
Loteamentos (horizontal):
- VGV em alta com famílias priorizando o sonho da casa própria e o espaço externo.
- Ticket de entrada, em muitos casos, mais baixo que o de um apartamento pronto, com flexibilidade de projeto/construção ao longo do tempo.
- Avanço em vetores de expansão fora do miolo central, onde o preço da terra é relativamente mais competitivo.
Quem compra e por quê?
Segundo o Censo, a intenção de compra em patamar elevado está ancorada em três vetores: estoques baixos, preços em valorização e demanda orgânica.
Entre os perfis, ganham destaque os millennials, motivados por sair do aluguel e começar um novo ciclo familiar.
Apartamentos lideram a preferência (46%), seguidos de casas de rua (41%), com saída do aluguel apontada como principal gatilho para a compra.
Gargalos e riscos do ciclo
O Sinduscon-MS destaca que burocracia, restrições à verticalização em áreas sensíveis e insegurança jurídica ainda encarece e atrasa projetos, elevando custos e alimentando a escassez de oferta.
Em julho, por exemplo, houve a suspensão por 240 dias de novas autorizações para prédios no entorno do Parque Estadual do Prosa, o que acende um alerta sobre a previsibilidade regulatória e seus efeitos no cronograma de lançamentos.
Estratégias para quem quer comprar ou investir
Para compradores:
- Agilidade com critério. Com estoques curtos, vale antecipar pré-aprovação de crédito e organizar documentação para decidir com segurança.
- Comparar bairros e tipologias. Olhe além do preço nominal: condomínio, IPTU, transporte e custos de manutenção mudam o custo total de morar.
- Monitore MCMV. As regras do programa podem melhorar a parcela e ampliar o leque de opções em empreendimentos novos.
Para investidores e incorporadores:
- Dado na veia. O VGV bilionário sinaliza espaço para ajustes responsáveis de preço e lançamentos calibrados ao déficit de produto (2 dorms; faixas econômicas).
- Loteamentos sob demanda. A curva de entrada do horizontal segue positiva; projetos com infraestruturas claras e etapas factíveis tendem a capturar o ciclo.
- Gestão de risco regulatório. Planejamento de portfólio deve considerar zonas sensíveis e cronogramas de licenciamento para evitar rupturas de oferta.
O que esperar do próximo semestre
No Brasil, a CBIC projeta estabilidade com viés de alta nas vendas e recuperação gradual dos lançamentos na segunda metade de 2025.
Se a capital mantiver a intenção de compra em patamar elevado e destravar licenciamentos, é razoável esperar lançamentos pontuais para recompor estoques e alguma moderação no repasse de preços, especialmente onde o MCMV sustenta a absorção.
Conclusão
O recorte recente confirma: loteamentos e apartamentos foram os grandes motores de um VGV de R$ 1,7 bilhão na Capital, com o vertical respondendo pela maior fatia e o horizontal crescendo de forma acelerada.
O ciclo, porém, vem com estoque curto, pressão de preços e desafios regulatórios.
Para compradores, informação e preparo financeiro são essenciais; para investidores e incorporadores, o momento pede disciplina de portfólio, leitura fina de demanda e gestão de riscos.
Em comum, todos ganham quando a tomada de decisão se ancora em dados confiáveis e na compreensão do contexto local, a melhor estratégia para navegar um mercado de imóveis em franca ebulição.
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