Corumbá, Quarta, 03 de Junho de 2026
Economia

Pagamento do 13º salário deve colocar R$ 369,4 bilhões na economia do país

R$ 5,2 bilhões podem circular em Mato Grosso do Sul a título de 13º salário.

Até dezembro de 2025, o pagamento do 13º salário tem potencial de injetar na economia brasileira cerca de R$ 369,4 bilhões. O montante representa aproximadamente 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e será pago aos trabalhadores do mercado formal, inclusive aos empregados domésticos; aos beneficiários da Previdência Social; e aposentados e beneficiários de pensão da União e dos estados e municípios. Cerca de 95,3 milhões de brasileiros serão favorecidos com rendimento adicional, em média, de R$ 3.512,00, de acordo com as estimativas do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Para o cálculo do pagamento do 13º salário em 2025, foram reunidos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), ambos do Ministério do Trabalho e Emprego. Também foram consideradas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Previdência Social e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

No caso da Rais, o DIEESE considerou o total dos assalariados com carteira assinada, empregados no mercado formal, nos setores públicos (estatutários ou celetistas) e privado, que trabalhavam em dezembro de 2023, acrescido do saldo do Novo Caged de 2024 e 2025 (até setembro). Da Pnad foi utilizado o contingente estimado de empregados domésticos com registro em carteira. Foram considerados ainda os beneficiários (aposentados e pensionistas) que, em agosto de 2025, recebiam proventos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), do Regime Próprio da União e dos estados e municípios. Para esses dois últimos, entretanto, não foi obtido o número de beneficiários. Para os assalariados, o rendimento foi atualizado pela variação média do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) entre janeiro e setembro de 2025 sobre dezembro de 2023 (Rais considerada na análise)1.

Para o cálculo do impacto do pagamento do 13º salário, o DIEESE não leva em conta autônomos, assalariados sem carteira ou trabalhadores com outras formas de inserção no mercado de trabalho que, eventualmente, recebem algum tipo de abono de fim de ano, uma vez que não há dados disponíveis sobre esses proventos.

Além disso, não há distinção dos casos de categorias que recebem parte do 13º antecipadamente, conforme definido, por exemplo, em acordo coletivo de trabalho (ACT) ou convenção coletiva de trabalho (CCT). Para realizar a estimativa, considera-se o montante total do valor recebido pelos beneficiários do INSS, independentemente da quantia que já tenha sido paga. Assim, os dados constituem projeção do volume total de 13º salário que entrará na economia ao longo do ano e não necessariamente nos dois últimos meses de 2025. Entretanto, a hipótese é de que a maior parte do valor referente ao 13º, notadamente para os trabalhadores ativos, seja paga no final do ano.

Dos cerca de 95,3 milhões de brasileiros que devem ser beneficiados com o pagamento do 13º salário, 59,5 milhões, ou 62,5% do total, são trabalhadores no mercado formal, entre eles, os empregados domésticos com carteira de trabalho assinada, que somam 1,5 milhão de pessoas,

equivalendo a 1,5% do conjunto de beneficiários. Os aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS) correspondem a 34,8 milhões de beneficiários, ou 36,6% do total. Além desses, aproximadamente 915,5 mil pessoas (ou 1,0% do total) são aposentadas e beneficiárias de pensão da União (Regime Próprio). Há ainda um grupo constituído por aposentados e pensionistas dos estados e municípios (regimes próprios) que vai receber o 13º e que não pode ser quantificado.

Do montante a ser pago como 13º, cerca de R$ 260 bilhões, ou 70,4% do total, irão para os empregados formais, incluindo os trabalhadores domésticos. Outros 29,6% dos R$ 369,4 bilhões, equivalentes a R$ 109,5 bilhões, serão pagos aos aposentados e pensionistas. Considerando apenas os beneficiários do INSS, são 34,8 milhões de pessoas, que receberão R$ 64,8 bilhões. Aos aposentados e pensionistas da União serão destinados R$ 9,9 bilhões (2,7%); aos aposentados e pensionistas dos estados, R$ 20,5 bilhões (5,6%); e aos aposentados e pensionistas dos regimes próprios dos municípios, R$ 14,2 bilhões, como mostra a Tabela 1.

Distribuição por região

A parcela mais expressiva do 13º salário (49,6%) deve ser paga nos estados do Sudeste, região com a maior capacidade econômica do país e que concentra a maioria dos empregos formais e aposentados e pensionistas. No Sul, devem ser pagos 17,3% do montante e, no Nordeste, 16,4%. Já às regiões Centro-Oeste e Norte cabem, respectivamente, 9% e 5%. Importante registrar que os beneficiários do Regime Próprio da União receberão 2,7% do montante e podem estar em qualquer região do país.

O maior valor médio para o 13º deve ser pago no Distrito Federal (R$ 5.877,00) e o menor, no Maranhão e Piauí, com valor médio de cerca de R$ 2.400,00. Essas médias, entretanto, não incluem o pessoal aposentado pelo Regime Próprio dos estados e dos municípios, pois não foi possível obter esses dados.

Estimativa setorial para o mercado formal

Para os assalariados formais dos setores público e privado, que correspondem a 58 milhões de trabalhadores, excluídos os empregados domésticos, a estimativa é de que R$ 257 bilhões serão pagos a título de 13º salário, até o final do ano.

A maior parcela do montante a ser distribuído caberá aos ocupados no setor de serviços (incluindo administração pública), que ficarão com 63% do total destinado ao mercado formal. Os empregados da indústria receberão 17,4%; os comerciários terão 13,2%; aos que trabalham na construção civil será pago o correspondente a 4,1%, enquanto 2,2% serão recebidos pelos trabalhadores da agropecuária, como mostra a Tabela 2.

Em termos médios, o valor do 13º salário do setor formal corresponde a R$ 4.431,00. A maior média deve ser paga aos trabalhadores do setor de serviços e equivale a R$ 4.983,00; a indústria aparece em segundo lugar, com o equivalente a R$ 4.616,00; e a menor média ficará com os trabalhadores do setor primário da economia, R$ 2.987,00.

O 13º NA ECONOMIA DE MATO GROSSO DO SUL

O volume estimado de recursos a título de 13° salário a circular na economia em Mato Grosso do Sul, até o final de 2025, deve ser de R$ 5.202.444.040, sendo R$ 1.281.222.949 provenientes dos Aposentados e Pensionistas, e os R$ 3.921.221.091 dos Trabalhadores do Mercado Formal.

A cifra total, que teve variação de 22,4% na comparação com o ano anterior, apresenta um acréscimo de R$ 953.570.685. Importante destacar que os valores estimados não circularão a partir de novembro, visto que alguns grupos receberam no primeiro semestre algum valor a título de 13º salário.

Quanto à relação deste valor na participação do PIB brasileiro, o percentual fechou em 1,65%, contra 1,58% no ano de 2024. Na comparação deste valor em relação ao PIB estadual, foi observada uma discreta alta em 0,2 p.p, posto que a participação foi de 2,5%.

O número total de beneficiários, ou seja, entre pessoas que trabalham no Mercado Formal e pessoas que já são aposentadas e/ou pensionistas, também registrou aumento em 75.654 pessoas, o que representa um crescimento em 6,2% da participação de beneficiários, que totalizaram 1.287.100 pessoas.

A quantidade de trabalhadores no Mercado Formal, até o período de levantamento destes dados, compreendia 893.441 pessoas, aumento de 4,5% ou 38.160 pessoas na comparação com o ano anterior. Este contingente de trabalhadores representa 69,4% do total de beneficiários do estado.

Entre os Assalariados dos Setores Público e Privado observou-se acréscimo de 44.160 trabalhadores, apesar da redução de 6.000 postos de trabalho no grupo dos Empregados Domésticos com Carteira Assinada - que saiu de 2,2% do total de beneficiados no ano de 2024, quando apresentou 27.000 postos de trabalho, para a participação em 1,6% neste ano, ao alcançar 21.000 postos.

No caso dos aposentados e pensionistas, os dados disponíveis permitiram estimar o número de beneficiários do Regime Geral do INSS, que neste cálculo representam 30,06% do contingente deste grupo de pessoas, entre aquelas que tiveram ou terão acesso ao 13º em 2025.

O número de pessoas que passou a acessar o Regime Geral de Previdência teve um aumento de 10,5%, ou 37.494 pessoas, posto que passou de 356.165 em 2024, para 393.659 em 2025. O valor médio da remuneração dessas pessoas deste grupo alcançou o valor de R$ 1.671,62, aumento de R$ 90,40 em valores monetários, ou de 6% em valores percentuais.

Embora não tenha sido possível estimar a quantidade de aposentados e pensionistas do setor público, tanto em nível estadual quanto municipal, os valores a serem distribuídos representam aproximadamente a metade da quantia total dos recursos destinados a este grupo.

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