Salário digno em Campo Grande é 42,9% maior que na região do Pantanal, aponta estudo
Relatório do Anker Research Institute e do Cebrap estima em R$ 4.015 a remuneração necessária na capital para uma família viver com dignidade.
O custo de uma vida básica, mas digna, apresenta diferenças relevantes dentro de Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, o salário digno foi estimado em R$ 4.015 por mês, valor 42,9% superior aos R$ 2.808 calculados para a região do Pantanal. No restante do estado, que reúne as mesorregiões Centro-Norte, Leste e Sudoeste, a estimativa é de R$ 3.162.
Os dados são do relatório produzido pelo Anker Research Institute (ARI), em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Os valores são referentes a junho de 2025 e foram calculados com a Metodologia Anker, a partir de pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de outras bases disponíveis no país. O trabalho recebeu apoio financeiro da Suzano.
O estudo também calcula a renda digna, que corresponde ao custo mensal de uma vida decente para uma família típica de quatro pessoas. A estimativa chega a R$ 6.181 em Campo Grande. Na macrorregião que abrange Centro-Norte, Leste e Sudoeste, o valor é de R$ 4.937; nos Pantanais, de R$ 4.435.
Para Ian Prates, diretor da Iniciativa ARI-Cebrap, a diferença registrada no estado mostra por que uma referência nacional única não é suficiente. “Quando o cálculo considera o território, fica claro que o custo do básico não é igual em todas as regiões. No Mato Grosso do Sul, a distância entre Campo Grande e o Pantanal é muito significativa. O dado permite discutir remuneração com uma referência ligada às condições locais”, afirma.
A maior parte da população sul-mato-grossense, 58,6%, está na macrorregião MS02, formada por Centro-Norte, Leste e Sudoeste. Campo Grande concentra 32,9% da população do estado, enquanto a região dos Pantanais reúne 8,5%.
O salário digno é calculado a partir da renda necessária à família, do número estimado de trabalhadores em tempo integral por domicílio e dos descontos obrigatórios. O relatório considera 1,72 trabalhador em tempo integral por família nas regiões MS01 e MS02 e 1,75 na capital. Alimentação, habitação, transporte, educação, saúde, cultura, entre outras despesas básicas e uma reserva de 5% para emergências compõem a renda digna.
“A estimativa não substitui o salário mínimo, acordos coletivos ou políticas públicas, mas indica quanto um trabalhador precisa receber, em determinado lugar, para que sua família alcance um padrão de vida básico e decente. É uma medida que pode orientar governos, empresas, sindicatos e organizações sociais sem tomar o lugar das decisões de cada um desses atores”, diz Prates.
Diferentes recortes para o estado
O relatório divide Mato Grosso do Sul em três macrorregiões. MS01 corresponde aos Pantanais de Mato Grosso do Sul. MS02 reúne Centro-Norte, Leste e Sudoeste. MS03 corresponde a Campo Grande.
Além das estimativas, o documento reúne indicadores socioeconômicos para contextualizar as diferenças regionais. O relatório completo integra a iniciativa Salário Digno Brasil, desenvolvida pelo ARI e pelo Cebrap, e está disponível no site do Anker Research Institute e teve apoio da Suzano S.A.