Brasil lidera denúncia na ONU contra Israel por interceptação da flotilha de ajuda humanitária à Gaza
Carta elaborada pelo Itamaraty já conta com apoio de cerca de 70 países.
O Governo Brasileiro liderou uma denúncia contra Israel no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) por interceptação da Flotilha Global Sumud, que navegava rumo à Faixa de Gaza levando ajuda humanitária.
A carta elaborada pelo Ministério das Relações Exteriores e apresentada à ONU nesta sexta-feira (3) já conta com o apoio de quase 70 países, entre eles África do Sul, Chile, China e Colômbia.
“Lamentamos esta ação militar, que viola direitos fundamentais e coloca em risco a integridade física de ativistas humanitários. Nesse sentido, Israel tem total responsabilidade pela segurança e bem-estar dos detidos”, declarou o embaixador brasileiro Tovar da Silva Nunes, no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Na última quinta-feira (2), o Ministério das Relações Exteriores publicou no site oficial uma nota condenando o que chamou de interceptação ilegal e a detenção arbitrária das embarcações que integram a Flotilha Global Sumud. “O Brasil exorta o governo israelense a liberar imediatamente os cidadãos brasileiros e demais defensores de direitos humanos detidos”, exige a nota, que destaca o caráter pacífico da ação.
“Sua interceptação por forças israelenses constitui grave violação ao direito internacional, incluindo o direito marítimo internacional, em particular a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que consagra a liberdade de navegação”, informa o Itamaraty.
Entre os tripulantes apreendidos por Israel, há 14 brasileiros. O 15º integrante brasileiro não foi capturado porque estava em uma outra embarcação que não foi interceptada até o momento. Alguns deles estão em greve de fome. O grupo foi capturado por barcos israelenses que interceptaram as dezenas de embarcações do comboio humanitário, a cerca de 120 km da costa palestina.
Horas antes do anúncio da denúncia na ONU, os organizadores da flotilha afirmaram que Israel interceptou a última embarcação, também nesta sexta. A apreensão aconteceu um dia após o bloqueio de quase todos os barcos.
No comunicado, os ativistas confirmam que a Marinha israelense interceptou ilegalmente as 42 embarcações. “Cada uma delas transportava ajuda humanitária, voluntários e a determinação de romper o cerco ilegal de Israel sobre Gaza”, informa o comunicado enviado pelo Telegram.
Na quinta-feira (2), os capturados brasileiros receberam a visita de advogados. Eles estão na prisão de Kesdiot, no deserto de Negev — uma instalação localizada entre Gaza e o Egito, a aproximadamente 30 quilômetros da fronteira egípcia.
Os últimos brasileiros a serem detidos foram Nicolas Calabrese, João Aguiar e Miguel de Castro. Integram também a missão humanitária Thiago de Ávila e Silva Oliveira, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e a vereadora de Campinas, Mariana Conti (PSOL-SP), Bruno Gilga, Lisiane Proença Severo, Magno de Carvalho Costa, Ariadne Catarina Cardoso Teles, Mansur Peixoto, Gabrielle Da Silva Tolotti, Mohamad Sami El Kadri, Lucas Farias Gusmão.
O jornalista Hassan Massoud, correspondente da Al Jazeera no Brasil e também membro da delegação brasileira, não foi detido porque estava em uma embarcação de observação e, segundo informações da assessoria da Global Sumud Flotilha, “não atravessou a zona de risco”.
Ministro israelense quer prisão dos ativistas
Ainda nesta sexta-feira, o ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, afirmou que deportar os integrantes da Flotilha Global Sumud é um erro, defendendo que os ativistas deveriam ser presos por vários meses.
“Acho que eles devem ficar aqui por alguns meses em uma prisão israelense, para que se acostumem com o cheiro da ala terrorista”, declarou Ben-Gvir em uma publicação na rede social X. Ele argumentou que, ao repatriá-los, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estaria incentivando os ativistas a “voltarem repetidamente”.
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