Corumbá, Domingo, 21 de Junho de 2026
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ONG Mulheres em Ação no Pantanal completa 25 anos de atuação

Evento comemorativo aconteceu na sexta-feira, dia 15, no Bioparque Pantanal em Campo Grande.

Oficina ODS Sensíveis a Gênero 2 - Fotos: arquivo

A Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, celebra, esse mês, um quarto de século de uma trajetória socioambiental fundamental para a conservação e o empoderamento feminino no Pantanal e além. Fundada em 20 de agosto de 2000, a organização realizou cerimônia na sexta-feira (15), no BioParque Pantanal, confira no link do zoom ou do youtube.

A Mupan se estabeleceu como a primeira organização não governamental do Pantanal dedicada à incorporação da perspectiva de gênero na gestão das águas. Seu objetivo central sempre foi fortalecer lideranças, principalmente mulheres, e comunidades tradicionais na defesa de seus territórios e na promoção da qualidade de vida da população pantaneira, aliada à conservação do bioma.

Desde sua criação, a Mupan enfrentou desafios notáveis para consolidar sua abordagem pioneira. No início, o enfoque de gênero e gestão da água foi recebido com estranheza, e a quebra de paradigmas representou um dos maiores desafios.

Áurea Garcia, diretora geral da Mupan, além de uma das fundadoras da organização, explica a motivação que deu origem à iniciativa: “A criação da Mupan foi impulsionada pela chegada das agendas internacionais aos contextos locais. No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, essas discussões começaram a se materializar no Brasil, muito influenciadas pela Rio 92. Entre os temas que ganharam força estava o da gestão das águas, de gênero, especialmente para ampliar a participação das mulheres nos espaços de tomada de decisão. Foi nesse cenário que nasceu a Mupan, para garantir que essas pautas globais encontrassem eco e aplicação no território pantaneiro”.

Fundação da Mupan na cidade de Pedro Gomes, em 2000 - Foto: acervo Mupan

Pesquisas iniciais, como a de 2007, revelaram a disparidade na participação feminina em espaços de tomada de decisão: apenas 14% de mulheres estavam presentes em comitês de bacia e conselhos estaduais de recursos hídricos, enquanto em atividades locais, essa participação superava 80%. Atualmente, essa representatividade já ultrapassa 30% nos espaços de decisão, em paralelo aos esforços impulsionados pela Mupan.

Pioneirismo e formação de lideranças 

Durante seus primeiros 15 anos, a Mupan se concentrou na mobilização de conhecimento, com foco em processos formativos, fomentando a participação em redes e coletivos. Liderou diálogos com governos, o setor privado, comunidades e outras organizações não governamentais (ONGs) no Pantanal e em instâncias nacionais.

Entre os marcos importantes de atuação, a Formação GAEA (Gênero, Água e Educação Ambiental), realizada entre 2013 e 2016, que consolidou o papel da Mupan como referência na gestão das águas com enfoque de gênero. A Formação GAEA alcançou mais de 150 lideranças e foi reconhecida pela ONU Mulheres como Boa Prática em Capacitação e Igualdade de Gênero, sendo também selecionada para o Catálogo de Experiências de Mulheres em Reservas da Biosfera pelo IberoMaB.

Algumas das Associadas Mupan

A Mupan tem sido inovadora, conseguindo traduzir o pensamento criativo em ações concretas que contribuem para políticas e conservação a longo prazo, por meio de iniciativas como a Formação GAEA e a Iniciativa Pantanal Poética, que rompeu barreiras ao integrar arte, ciência e saberes comunitários.

Parcerias estratégicas e atuação em Políticas Públicas 

A trajetória da Mupan foi significativamente impulsionada pela parceria estratégica com a Wetlands International Brasil, que se estabeleceu no país em 2017. Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora técnico-científica da Mupan, destaca a sinergia dessa união: “O escritório da Wetlands International Brasil foi constituído através de um processo de cooperação com a Mupan. Construímos muito mais do que uma parceria institucional, criamos pontes entre o local e o global, unindo vozes do território às estratégias de conservação internacional. É uma união que fortalece nossa atuação e reafirma que cuidar das áreas úmidas é também garantir justiça social, igualdade de gênero e dignidade nos territórios”.

Essa parceria alavancou a influência em políticas públicas e o envolvimento de outras comunidades em programas como o Corredor Azul e a Iniciativa AquaREla Pantanal.

A Mupan tem sido um agente proativo na construção e articulação de políticas públicas socioambientais, participando em diferentes espaços como a criação da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental (CIEA/MS) em 2000, e da Câmara Técnica de Gestão de Recursos Hídricos Transfronteiriços (CTGRHT) do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) 2003.

Pantanal aguapé: acervo Mupan

A organização também desempenhou um papel essencial na criação do Programa Estadual de Educação Ambiental (ProEEA/MS) em 2017 e contribuiu para a inclusão de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) na Lei do Pantanal em 2025.

Recentemente, a Mupan foi eleita para compor o plenário do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para o biênio 2025–2027, um reconhecimento da sua sólida atuação.

Legado de transformação no Pantanal 

A Mupan se destaca por materializar agendas internacionais nos territórios locais, adaptando-as às realidades e necessidades específicas. Áurea Garcia ressalta: “Desde a criação da Mupan, temos trabalhado em diversas perspectivas para que as agendas internacionais se materializem nos territórios. Isso se dá por meio de diferentes processos para a inserção dessas pautas no cotidiano de variados atores, com dedicação a diversas articulações”.

A celebração dos 25 anos da Mupan reflete uma trajetória de coragem, afeto e compromisso coletivo, tecida a partir da escuta sensível e da cocriação com mulheres e comunidades que ousam transformar seus territórios. A organização continua sua missão de ampliar vozes e fortalecer modos de vida diversos, com foco na justiça socioambiental e na resiliência do Pantanal.

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