Corumbá, Quarta, 03 de Junho de 2026
Meio Ambiente

Agosto Cinza: MS registra até mil incêndios no mês mais crítico e reforça alerta

O clima seco e a baixa umidade transformam o Estado em um cenário propício para incêndios.

Foto: CBMMS/Cabo Romaike

Em Mato Grosso do Sul, agosto é sinônimo de atenção redobrada. O clima seco e a baixa umidade transformam o Estado em um cenário propício para incêndios, que chegaram a quase mil ocorrências no mesmo mês de 2024, contra apenas 190 em janeiro, segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS).

A campanha Agosto Cinza, instituída pela Lei Estadual 5.431/2019, através do ex-deputado estadual Marçal Filho, reforça a necessidade de prevenção, unindo poder público e sociedade em ações educativas, palestras, operações e combate direto ao fogo — tanto em áreas urbanas quanto rurais. Complementarmente, a Lei 5.485/2019, de autoria do deputado Lucas de Lima (sem partido) institui a Semana Estadual de Conscientização, Prevenção e Combate à Prática de Queimadas Urbanas, destacando a importância de inibir queimadas em áreas urbanas para reduzir poluição, proteger a saúde pública e conservar o meio ambiente.

Fonte: CBMMS

Em 2025, de janeiro a julho, já foram registradas 1.341 ocorrências, com julho liderando os números: 437 casos no Estado e 188 só na Capital.

“O fogo ainda é usado culturalmente para limpeza de terrenos, mas isso gera riscos graves e até perda de vidas”, alerta a tenente-coronel Tatiane de Oliveira, da assessoria de comunicação do CBMMS. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), 99% dos incêndios no Pantanal não são causados por fenômenos naturais, mas pela ação humana.

Assembleia Legislativa e o combate integrado

O presidente do Comitê Interinstitucional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais de MS, tenente-coronel bombeiro militar Leonardo Rodrigues Congro, reforça que a integração é essencial: “Nosso objetivo é unir todos os setores para reduzir as queimadas e melhorar o manejo do fogo, equilibrando necessidades humanas e proteção ambiental”.

Fogo ainda é usado para limpeza de
terrenos, mas isso gera riscos graves
(Foto: CBMMS/Cabo Romaike)

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Renato Câmara (MDB), acompanha de perto as ações de prevenção e combate, participa de discussões a respeito de operações no Pantanal e já indicou ao governo a compra de aeronaves específicas, como o modelo internacional Sikorsky S-64 Skycrane, capaz de lançar grandes volumes de água em áreas de difícil acesso. O parlamentar também coordena a Frente Parlamentar de Recursos Hídricos, voltada à preservação e gestão sustentável da água — recurso diretamente impactado pelos incêndios, que comprometem nascentes e a qualidade dos rios.

Brigadistas, pesquisa e prevenção

Além de campanhas de conscientização, o Estado investe em prevenção: 717 brigadistas florestais já foram formados em 2025, e o Programa PSA Brigadas vai destinar R$ 14 milhões até 2026 para equipar e apoiar equipes que atuam na linha de frente.

No Pantanal, 8 grandes incêndios foram 
combatidos este ano dentro da Operação Pantanal
(Foto: CBMMS/Cabo Romaike)

A ciência também é aliada. O Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração/Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas (PELD/NEFAU), da UFMS, coordenado pelo professor Geraldo Alves Damasceno Junior, estuda desde 2020 os efeitos do fogo no Pantanal e desenvolve, junto a comunidades locais, ONGs e órgãos ambientais, estratégias de manejo integrado do fogo. “Não se trata de eliminar totalmente o uso do fogo, mas de usá-lo de forma planejada para reduzir riscos e preservar o ecossistema”, explica Damasceno.

No Pantanal, oito grandes incêndios foram combatidos este ano dentro da Operação Pantanal, envolvendo bombeiros, brigadas comunitárias e órgãos ambientais. Para o coordenador do Prevfogo/Ibama no Estado, Márcio Yule, o fortalecimento das brigadas é vital: “Sem equipamentos e apoio constante, é impossível manter a defesa das áreas mais ameaçadas”.

Ações da população fazem a diferença

A população também pode agir: denunciar queimadas ao Corpo de Bombeiros pelo 193 e à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (Decat) pelo (67) 3325-2567 é fundamental para conter a destruição. Pequenas atitudes, como não atear fogo em terrenos e apagar bitucas de cigarro, ajudam a proteger biomas e vidas.

Agosto Cinza não é apenas um mês no calendário — é um lembrete de que prevenir é sempre menos doloroso (e mais barato) do que reconstruir.

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