Macacões de proteção usados na coleta de iscas no Pantanal ganham novo uso em roça quilombola
Em Corumbá, integrantes da Comunidade Quilombola Ribeirinha Família Ozório usam os equipamentos no cultivo de hortaliças e na preparação de terrenos alagados.

Nas roças da Comunidade Quilombola Ribeirinha Família Ozório, em Corumbá, na fronteira oeste do Brasil com a Bolívia, a água do Rio Paraguai se espalha entre as bananeiras. É nesse terreno alagado que macacões impermeáveis, tradicionalmente usados na coleta de iscas vivas no Pantanal, passaram a acompanhar o trabalho de preparar a terra, limpar os terrenos e plantar.
Imagens enviadas à Ecoa mostram integrantes da comunidade usando os equipamentos no cultivo de hortaliças e no manejo de áreas destinadas ao plantio. Usados originalmente para proteger isqueiras e isqueiros que passam longos períodos dentro d’água, os macacões agora também acompanham outra forma de produzir alimentos e cuidar do território.
Da coleta de iscas à roça
Na coleta de iscas vivas, atividade ligada à cadeia da pesca e do turismo no Pantanal, os trabalhadores permanecem horas dentro d’água, expostos à umidade e ao contato com animais como cobras, arraias e jacarés. Os macacões são Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que ajudam a reduzir riscos de acidentes e a proteger a saúde de quem depende da atividade.
Em muitas comunidades, as mulheres são maioria entre as pessoas que trabalham na coleta de iscas. Antes do uso dos equipamentos, elas enfrentavam problemas dermatológicos e ginecológicos associados à longa permanência na água, solucionados com os macacões vulcanizados.
No Quilombo Família Ozório, o mesmo equipamento passou a fazer parte da rotina de quem trabalha nos roçados, sendo adaptado a uma necessidade diferente. Segundo informações publicadas no histórico da Associação Quilombola Ribeirinha Família Ozório (AQUIRRIO), o Rio Paraguai fornece água para o cultivo de hortaliças e ervas medicinais, realizado na margem direita do rio.
Uma parceria que acompanha o território
A entrega dos macacões faz parte da parceria entre a Ecoa e o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT/MS), iniciada em 2013. Desde então, a distribuição passou a ocorrer de forma recorrente e mais de 600 equipamentos já foram entregues a isqueiras e isqueiros de comunidades pantaneiras.
O registro mostra que o equipamento foi incorporado à rotina da comunidade e passou a responder a uma necessidade que não estava prevista no momento da entrega. Além disso, mais de um ano depois da entrega, os macacões aparecem em bom estado de conservação – em uso, dentro e fora d’água.
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