Abdul El-Sayed vence em Michigan e se torna primeiro senador muçulmano dos EUA
Durante o pleito, a religião do candidato democrata e as posições sobre o apoio militar e financeiro a Israel consolidaram-se como eixos centrais do debate.
Em um comício na cidade americana de Detroit, o democrata Abdul El-Sayed declarou vitória na disputa pelo Senado dos Estados Unidos. Com 51,9% dos votos válidos contra 46,1% do candidato republicano Mike Rogers, a votação de 3 de novembro marca um fato inédito na história política americana: El-Sayed torna-se o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira na Câmara Alta do país.
Filho de imigrantes egípcios e nascido em Rochester Hills, o novo senador assumirá o posto ocupado desde 2015 pelo democrata Gary Peters, que anunciou sua aposentadoria política.
Clima Tenso e embates de campanha
A corrida eleitoral ocorreu em um cenário polarizado. O estado do Michigan esteve no centro de intensas controvérsias relacionadas às políticas antimigratórias do ex-presidente Donald Trump. A região abrigou o maior centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), tornando-se palco de confrontos diretos entre agentes e manifestantes, além de tensões entre autoridades locais e o governo federal. El-Sayed é um crítico vocal dessas medidas e defende abertamente a abolição da agência de imigração desde 2018.
Durante o pleito, a religião do candidato e as posições sobre o apoio militar e financeiro a Israel consolidaram-se como eixos centrais do debate. Trump chegou a referir-se a El-Sayed publicamente com o termo “jihadista”.
A tensão também se desdobrou no âmbito interno do Partido Democrata. A ex-deputada Haley Stevens, derrotada por El-Sayed nas primárias da legenda e financiada por investimentos do grupo de lobby pró-Israel AIPAC, declarou apoio ao adversário republicano, alegando preocupações com o “antissemitismo”. O movimento provocou forte reação de lideranças partidárias, que classificaram a atitude de Stevens como uma “traição”.
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