Corumbá, Quarta, 03 de Junho de 2026
Política

ABI aciona PGR contra Motta: “não sabe a importância do jornalismo”

Entidade denuncia cerceamento e agressões a repórteres no plenário da Câmara.

A reação à retirada forçada de repórteres do plenário da Câmara dos Deputados ganhou novos contornos nesta quinta-feira (11), quando o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, criticou duramente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). As manifestações ocorreram após os episódios de violência registrados na última terça-feira (9), durante a ocupação da mesa da Câmara pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).

Durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, Costa afirmou que Motta demonstrou desconhecer o papel essencial da imprensa em uma sociedade democrática. “O trabalho de relato dos fatos, de relato da verdade, de compromisso com a verdade que o jornalista tem, compromisso com a ética, incomoda muita gente. E pelo visto incomoda muito o presidente da Câmara”, declarou o dirigente. Ele acrescentou: “Então o senhor Hugo Motta infelizmente ele não sabe o que é jornalismo, ele não sabe a importância do jornalismo para a democracia”.

Jornalistas foram expulsos do plenário

Os tensionamentos se intensificaram na terça-feira (9), quando Glauber Braga ocupou a mesa diretora da Câmara em protesto contra o processo que poderia resultar na cassação de seu mandato. Após a resistência do parlamentar em deixar o local, policiais legislativos iniciaram a evacuação do plenário e, segundo relatos, passaram a impedir repórteres de registrar os acontecimentos.

A TV Câmara também interrompeu a transmissão ao vivo, enquanto jornalistas aguardavam explicações e tentavam acompanhar a retirada do deputado. Nesse período, profissionais de imprensa relataram agressões cometidas por agentes da Polícia Legislativa. Glauber Braga acabou removido à força.

Ações da ABI e repercussão no setor

Diante da gravidade dos fatos, a ABI anunciou que adotará três medidas formais:

A reação do setor jornalístico foi imediata. Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiou o que classificou como “grave censura à imprensa” e condenou as agressões. A Abratel, a ANJ e a Aner também denunciaram o cerceamento ao trabalho dos profissionais e exigiram responsabilização.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou considerar inaceitáveis tanto a censura quanto a violência praticada contra jornalistas e parlamentares, reforçando que a garantia de acesso à informação é condição fundamental para o funcionamento das instituições democráticas.

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