Evo Morales reage à nova ordem de prisão na Bolívia: “não nos intimidarão”
Ex-presidente boliviano acusa o governo de usar denúncias criminais para desviar a atenção da crise econômica e social enfrentada pelo país.
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo boliviano expediu uma nova ordem de prisão contra ele sob acusação de supostos crimes de terrorismo e insurreição armada. A declaração foi publicada pelo próprio líder político em sua conta na rede social X.
Evo Morales criticou a decisão das autoridades e associou a medida ao cenário econômico e social do país. “Hoje o governo emite uma nova ordem de prisão contra mim, acusando-me de supostos crimes de terrorismo e insurreição armada. Buscam responsabilizar-nos pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social, fruto de um modelo que abandonou o povo e protege a corrupção”, escreveu o ex-presidente.
Na sequência, Morales afirmou que sua posição permanece ao lado dos setores afetados pela situação econômica. “Nossa posição sempre foi clara: estamos do lado de quem sofre o ajuste, a escassez de combustível, o aumento do custo de vida, a insegurança e o avanço do narcotráfico. Com processos e perseguição política não resolverão os problemas que eles mesmos provocaram; apenas tentam desviar a atenção com uma nova manchete”, declarou.
O ex-presidente também afirmou que continuará sua atuação política apesar da nova ordem judicial. “Não nos intimidarão. Continuaremos lutando junto ao povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: o da dignidade, da soberania, da justiça social e da recuperação da esperança para todas e todos”, concluiu.
Acusações de terrorismo e insurreição armada
Segundo o La Nacion, a nova ordem de prisão foi emitida pela Promotoria de Santa Cruz, que acusa Morales de seis crimes relacionados aos protestos e bloqueios de estradas realizados entre maio e junho deste ano. Segundo a investigação, o ex-presidente teria participado das mobilizações que exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz e é investigado por supostos crimes de terrorismo, insurreição armada e atentado contra serviços públicos. O processo teve origem em uma denúncia do Comitê Pró-Santa Cruz e, posteriormente, recebeu o apoio do Ministério do Governo.
As acusações surgem em meio ao agravamento da disputa entre Morales e o governo de Rodrigo Paz. As manifestações de maio e junho reuniram camponeses e sindicalistas contrários às reformas propostas pelo presidente e à condução da crise econômica, marcada pela escassez de combustíveis, falta de divisas e aumento da inflação. Em junho, Morales participou de uma marcha que pediu a renúncia de Paz e afirmou que compareceria à capital apenas se recebesse garantias de segurança, reiterando que considera os processos judiciais parte de uma perseguição política.
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