‘Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico’, diz Lula
Presidente comentou as investigações sobre a relação entre ministros do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu neste sábado (12) o aprofundamento das investigações entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
“Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”, afirmou o presidente durante evento em Curitiba (PR). “Quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar. Tem que ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade”, acrescentou.
O presidente criticou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o governo Jair Bolsonaro. “A quadrilha foi montada no governo Bolsonaro. Criaram um banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Abriram um banco e fechamos este banco. A família Bolsonaro não escapa”.
Entenda
O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu neste sábado (12) que o plenário não vai examinar de forma conjunta os pedidos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A decisão preserva a sessão marcada para terça-feira (15), que ficará restrita à análise do relatório da Polícia Federal sobre mais de 50 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.
Fachin também definiu uma nova data para o exame das questões ligadas a Mendonça. O STF marcou para 23 de setembro a sessão que discutirá os questionamentos sobre a atuação do ministro nos casos Master e INSS.
As informações sobre a condução desses procedimentos aparecem em um relatório de inteligência elaborado pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo após solicitação de Moraes.
Guerra no STF
O clima esquentou no Supremo nos últimos dias. O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a determinação do ministro André Mendonça pelo afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e de Leandro Almada da chefia da Diretoria de Inteligência Policial da corporação. O magistrado afirmo que era necessário apurar relatórios da PF enviados a Moraes. Já o ministro Flávio Dino determinou a recondução dos dois dirigentes à PF.
Com a decisão de Fachin, nesta quarta (9), as determinações anunciadas pelos ministros Flávio Dino e André Mendonça foram derrubadas.
No começo do mês, André Mendonça retirou o sigilo de alguns materiais produzidos pela PF sobre a troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Havia registros de um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Master com o escritório Barci de Moraes, que pertence à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
O material citou cartões de crédito do banco de Vorcaro emitidos para filhos do ministro, com limites que chegariam a R$ 300 mil. A solicitação teria partido do administrador do escritório Barci de Moraes e seguido diretamente para o ex-banqueiro.
Em seguida, Moraes reagiu e enviou a Fachin alguns relatórios da PF que teriam indicado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
A disputa avançou no STF. Mendonça encaminhou a Fachin um pedido de afastamento de Alexandre de Moraes.
Nas manifestações mais recentes, Fachin decidiu convocar para a próxima terça-feira (15) uma sessão entre os ministros da Corte para discutir a relação entre Moraes e Vorcaro. O presidente do STF também pediu a retirada do sigilo do caso Master.
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