Corumbá, Quinta, 04 de Junho de 2026
Política

Preso, Bolsonaro será substituído na campanha de 2026 por boneco de papelão e IA

Tecnologia pode, por outro lado, gerar complicações jurídicas para o PL e candidatos.

Flávio Bolsonaro e totem de Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/X/@FlavioBolsonaro)

A cúpula do PL tem buscado alternativas para enfrentar a próxima disputa eleitoral sem a presença física de Jair Bolsonaro (PL), preso desde agosto. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo e apontam que dirigentes analisam desde o uso de bonecos em tamanho real até ferramentas de inteligência artificial para simular mensagens de apoio do líder político.

A ideia de recorrer à produção digital de conteúdos com a imagem e a voz do ex-presidente chegou ao presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Mas a proposta divide o partido: setores temem que o recurso abra espaço para que candidatos não autorizados explorem a figura de Bolsonaro de maneira indevida, além do risco de ataques de adversários que, mesmo diante da transparência sobre o uso de IA, poderiam classificar as peças como enganosas.

Professor da USP e pesquisador da área, Juliano Maranhão avalia que a técnica pode ser admitida, desde que siga as normas do TSE. Ele ressalta que é obrigatório indicar o uso da ferramenta e evitar qualquer conteúdo que induza o eleitor a acreditar que Bolsonaro esteja em liberdade. "Não poderia ser usada para enganar o eleitor. Pelo fato de estar preso, se passar a impressão contrária, aí poderia ser questionado se não estaria desinformando, passando uma percepção equivocada", afirmou.

Maranhão acrescenta que, caso candidatos não autorizados utilizem inteligência artificial para simular apoio de Bolsonaro, o PL pode acionar a Justiça Eleitoral para derrubar publicações que configurem desinformação.

Enquanto a sigla debate os limites da tecnologia, aliados têm recorrido a outros expedientes para manter a presença simbólica de Bolsonaro. Imagens de papelão e banners passaram a aparecer com frequência em eventos do PL desde sua prisão. Em uma vigília organizada em 22 de agosto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, o parlamentar discursou e fez orações ao lado de uma réplica em tamanho real do pai. A mobilização, inclusive, foi citada nos fundamentos do pedido de prisão preventiva decretado horas depois.

Em meio às tentativas de preservar a influência do ex-presidente, apoiadores buscam novas formas de demonstrar lealdade. O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), publicou montagens digitais com Bolsonaro e disse ter feito isso por conta própria, como forma de endossar o aliado. Deputados ligados ao bolsonarismo também receberam, em grupos de WhatsApp, links para plataformas que permitem inserir a imagem do ex-presidente em fotografias pessoais.

A ausência física de Bolsonaro preocupa principalmente candidatos dependentes de sua presença nas redes e de forte apelo ideológico. Somente no primeiro semestre de 2024, ele percorreu mais de 20 cidades em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, principais colégios eleitorais do país — um movimento difícil de ser reproduzido pela militância.

Setores do PL avaliam que nomes como Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) terão menos disponibilidade para suprir esse espaço, já que ambos estarão concentrados em suas próprias campanhas em 2026 — ela ao Senado pelo Distrito Federal e ele na tentativa de reeleição. A expectativa é que, no segundo turno, ambos possam assumir papéis mais robustos em disputas estaduais e nacional.

Entre aliados, permanece a narrativa de que a prisão de Bolsonaro teria como objetivo fragilizar candidaturas da direita, tese repetida desde o início do ano. Em paralelo, lideranças do centrão pressionam o PL a definir, ainda em 2025, um nome capaz de herdar o espólio político do ex-presidente e iniciar uma campanha mais organizada para o Planalto.

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