Proposta do vereador Jovan Temeljkovitch que declarada Utilidade Pública a Associação Comunitária Mãos que Abraçam é sancionada em Corumbá
Entidade presta apoio a aproximadamente 300 famílias atípicas na cidade.

Sancionada a Lei 3.040, de 26 de junho de 2026, que declara de Utilidade Pública Municipal a Associação Comunitária Mãos que Abraçam, uma entidade sem fins lucrativos e econômicos, que desempenha relevante função social na região, promovendo acolhimento, inclusão, assistência, suporte terapêutico e fortalecimento das famílias atípicas.
A proposta foi do vereador Jovan Temeljkovitch e a Lei, sancionada pelo prefeito Gabriel Alves de Oliveira, foi publicada na edição 3.402 do Diário Oficial de Corumbá na última sexta-feira.
A Associação Comunitária Mãos que Abraçam realiza um importante trabalho voltado ao atendimento de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, tais como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), síndrome de Down, dislexia e demais condições correlatas, além do apoio às famílias em situação de vulnerabilidade social.
Desenvolve ainda atividades educacionais, sociais, culturais e terapêuticas, promovendo campanhas de conscientização, capacitação, acolhimento familiar e inclusão social, além de possibilitar parcerias com órgãos públicos e privados para execução de projetos comunitários.
Atualmente, a entidade presta apoio a aproximadamente 300 famílias atípicas, oferecendo atendimentos voluntários nas áreas de psicologia, psicopedagogia, neuropsicopedagogia, psicomotricidade, orientação educacional, apoio terapêutico e inclusão social, demonstrando efetiva atuação de relevante interesse público e social no Município de Corumbá.
A associação também mantém ações e parcerias voltadas à promoção da saúde e assistência social, inclusive com profissionais voluntários e projetos de apoio multidisciplinar, reforçando seu papel comunitário e humanitário.
A ASSOCIAÇÃO
Uma das idealizadoras da Associação Comunitária Mãos que Abraçam, Maria Alciana Morais acompanhou de perto todo o processo que tornou entidade Utilidade Pública em Corumbá. Dias atrás, acompanhada de grande parte da equipe responsável pelos trabalhos, ela esteve na Câmara e, a convite de Jovan, teve a oportunidade de falar um pouco do trabalho desenvolvido na região com o objetivo de dar voz a quem a dor silenciou.
Se emocionou ao falar da atuação de todos que fazem parte da associação. Em seu pronunciamento no plenário, relatou que “a inclusão não é apenas uma palavra bonita escrita em projetos ou discursos. Inclusão é compromisso, é responsabilidade, é olhar para o outro com humanidade, dignidade e respeito. É compreender que por trás de cada diagnóstico existe uma criança, uma mãe, uma família inteira lutando diariamente para sobreviver emocionalmente, financeiramente e socialmente”.
Revelou que a realidade das famílias atípicas vai muito além das terapias, além dos laudos, das consultas e dos atendimentos especializados. “Existe uma dor silenciosa que muitas vezes ninguém vê. Existe o cansaço de mães que enfrentam noites sem dormir, preconceito, abandono, dificuldades financeiras e a solidão de carregar sozinhas uma luta que deveria ser coletiva”, confidenciou.
UM COMPROMISSO
Disse que estar à frente de uma associação é “carregar no coração o compromisso com o povo, especialmente com aqueles que mais precisam. É compreender que atender famílias em situação de vulnerabilidade torna os desafios ainda maiores”, se referindo à dura tarefa de realizar uma terapia de qualidade com uma criança que muitas vezes sequer tomou o café da manhã, e como desenvolver o potencial de um adolescente com TDAH quando lhe faltam autoestima, orientação, apoio emocional e perspectivas para o futuro.
Revelou que, diariamente a entidade encontra adolescentes enfrentando a gravidez “em uma fase tão bonita da vida, uma fase que deveria ser marcada por sonhos, descobertas, oportunidades e construção de projetos pessoais”, sem se esquecer do fato de sempre estar frente a frente com famílias fragilizadas pela ausência de políticas públicas efetivas, pela falta de acolhimento e pelo peso do esquecimento social.
“Por isso, visitar as famílias, conhecer suas realidades, ouvir suas dores e compreender suas necessidades faz toda diferença no atendimento. Não existe inclusão verdadeira sem escuta, sem presença e sem empatia. Não existe transformação social sem enxergar o ser humano além das suas limitações”, confidenciou.
Afirmou que a Associação Comunitária Mãos Que Abraçam nasceu exatamente desse propósito: dar voz a quem muitas vezes foi silenciado pela dor, pelo abandono e pela falta de acolhimento; nasceu do sonho de uma mãe atípica que transformou sua própria dor em luta coletiva, em esperança e em ação.
Observou ainda que a neurodivergência não é uma causa individual, mas sim uma causa social que, somente com a união entre famílias, sociedade civil, profissionais, poder público e comunidade, será possível construir um futuro mais justo, humano e acessível para todos.
“Precisamos fortalecer diariamente o olhar sensível, a responsabilidade social e o compromisso assumido com o povo, independentemente de cor, raça, religião ou condição social. Os Direitos Humanos existem para garantir dignidade, igualdade, respeito e proteção a todos. E é justamente nesses princípios que acreditamos e continuamos firmes”, prosseguiu.
Finalizou seu depoimento afirmando que ainda há muito a ser feito, muitos desafios que precisam ser enfrentados, mas que todos os envolvidos seguem acreditando que cada gesto de acolhimento, cada mão estendida e cada atitude de empatia podem transformar vidas. “Inclusão não é favor, é direito. E lutar pela dignidade humana é um dever de todos nós”, concluiu.
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