Relação entre Lula e Congresso é de conflito para 70% dos brasileiros, diz Datafolha
Outros 20% avaliam que há mais cooperação do que embate, 2% dizem não ver nem uma coisa nem outra, e 8% não souberam responder.
A relação entre o governo do presidente Lula (PT) e o Congresso Nacional é vista por 70% da população como mais marcada por confronto do que por colaboração, segundo nova pesquisa Datafolha. Outros 20% avaliam que há mais cooperação do que embate, 2% dizem não ver nem uma coisa nem outra, e 8% não souberam responder.
A percepção de confronto reflete uma sequência de embates entre Executivo e Legislativo durante o atual mandato. O episódio mais recente foi a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Desde 2023, o Congresso também impôs derrotas ao governo, como a retirada de competências dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas.
Em 2024, parlamentares derrubaram vetos às chamadas saidinhas de presos e ao “PL do Veneno”, sobre agrotóxicos. Em 2025, impediram mudanças nas alíquotas do IOF, na primeira reversão de um decreto presidencial desde o governo Collor, e barraram medida provisória que aumentava impostos. O governo e o PT reagiram nas redes com o mote “Congresso Inimigo do Povo”.
Apesar dos atritos, Lula conseguiu aprovar pautas importantes no Legislativo, como a reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. O presidente também fechou acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para votar a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, considerada estratégica para sua campanha.
Entre os entrevistados que veem mais confronto do que colaboração, 89% consideram essa relação negativa para o Brasil, enquanto 10% a avaliam como positiva. No grupo que enxerga cooperação, 58% dizem que a relação entre Lula e Congresso é positiva para o país, e 38% a classificam como negativa.
A pesquisa também mostra o Congresso em baixa. O desempenho de deputados federais e senadores é considerado ruim ou péssimo por 37% dos entrevistados, bom ou ótimo por 15%, e regular por 43%. Os números ficaram estáveis em relação ao levantamento de março, quando 39% avaliavam o Legislativo como ruim ou péssimo.
A crise do Banco Master ampliou o desgaste político sobre o Congresso. O caso atingiu Flávio Bolsonaro, que admitiu contato com Vorcaro para tratar do financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro (PL), e Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de receber R$ 300 mil mensais do banco para defender interesses da instituição, o que ele nega. Apesar da pressão, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) enterrou a proposta de CPI sobre o Master.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios, na terça-feira (12) e na quarta-feira (13). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-00290/2026. A maior parte das entrevistas foi feita antes da revelação das conversas em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro a Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master.
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