Rodrigo Paz assume presidência da Bolívia
Novo presidente boliviano promete reconstruir o país e responsabiliza Evo Morales e Luis Arce pela crise econômica e institucional.

Rodrigo Paz Pereira tomou posse neste sábado (8) como novo presidente da Bolívia, ao lado de Edmand Lara, que assume o cargo de vice-presidente. A cerimônia realizada na Plaza Murillo, em La Paz, marcou o fim de quase duas décadas de hegemonia política da esquerda boliviana, liderada por Evo Morales e, mais recentemente, por Luis Arce.
De acordo com a CNN Brasil, a posse foi acompanhada por líderes de diversos países da América do Sul, entre eles Javier Milei (Argentina), Gabriel Boric (Chile), Daniel Noboa (Equador), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai). O Brasil foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Cerimônia de posse e homenagens
O vice-presidente Edmand Lara foi o primeiro a chegar à Praça Murillo, vestindo o uniforme de gala da Polícia Boliviana, corporação da qual fez parte antes de ingressar na política. Conhecido por seu discurso anticorrupção e popularidade nas redes sociais, especialmente no TikTok, Lara presidiu a sessão legislativa que antecedeu a posse de Paz e saudou individualmente os chefes de Estado e autoridades internacionais presentes.
Rodrigo Paz chegou à Assembleia Legislativa com traje formal, acompanhado de familiares e apoiadores. Em seu juramento, agradeceu à Pachamama (Mãe Terra) pela chuva que caía em La Paz no momento da cerimônia. “Ela está realizando uma purificação, está nos abençoando. E isso significa que é um bom momento, é um bom presságio”, afirmou o novo presidente, em um gesto simbólico de respeito às tradições andinas.
Discurso de ruptura e promessas de reconstrução
No discurso inaugural, Paz fez duras críticas aos governos de esquerda que comandaram o país nos últimos 20 anos. “Nunca mais uma Bolívia isolada, com ideologias fracassadas, nem muito menos uma Bolívia de espada no mundo”, declarou, ao prometer uma nova era política.
O novo presidente descreveu o país que assume como “devastado”. “Nos deixaram uma economia quebrada, com as reservas internacionais mais baixas em 30 anos. Nos deixaram inflação, escassez, desvalorização e desconfiança. Um Estado paralisado, um monstro burocrático incapaz de servir ao povo”, afirmou.
Paz acusou os governos anteriores de desperdiçarem recursos e aumentarem a dívida pública. “O mal gasto de US$ 60 bilhões do gás e uma dívida de mais de US$ 40 bilhões, interna e externa, foi algo correto? Somos um melhor país?”, questionou, em tom de indignação.
Mensagem direta a Evo Morales e Luis Arce
Em um dos momentos mais duros de seu discurso, Paz dirigiu-se diretamente a seus antecessores. “Onde está o tão falado mar de gás que nos prometeram? Disseram que a Bolívia teria um mar de gás, lembram? Evo, onde está o lítio? Arce, onde está o lítio?”, disparou.
Apesar das críticas, o presidente afirmou que não busca revanche, mas sim “aprender com os erros” para reconstruir a economia nacional. Ele também anunciou que comboios com diesel e gasolina começaram a entrar no país “desde a noite passada”, em resposta à recente crise de abastecimento.
Um novo ciclo político
A posse de Rodrigo Paz marca o início de uma nova fase na política boliviana, com a promessa de um governo de centro e foco na recuperação econômica. O evento foi acompanhado por ex-presidentes do país, como Jaime Paz Zamora — pai do novo mandatário —, Jeanine Áñez e Jorge “Tuto” Quiroga.
Veja Também
Evo Morales reaparece e vota escondido em vilarejo da Bolívia durante segundo turno
Saiba quem é Rodrigo Paz, o novo presidente eleito da Bolívia
Presidente eleito da Bolívia cobra reforço na fronteira após operação contra facção no Rio
Jeanine Áñez deixa prisão após quase cinco anos
Ex-presidente Luis Arce é sequestrado e preso na Bolívia
José Antonio Kast, pinochetista, vence as eleições no Chile
Bolívia: protestos desafiam governo após aumento de combustíveis
Sindicatos da Bolívia bloqueiam rodovias no país
Bolívia revoga decreto sobre combustíveis após pressão sindical e acordo com movimentos sociais
Brasil e Bolívia: 'Fronteira viva que conecta povos, culturas e economia', diz Lula
Bloqueios e pressão popular exigem renúncia do presidente da Bolívia
Protestos de camponeses na Bolívia ampliam pressão por renúncia de Rodrigo Paz
Central sindical boliviana condiciona diálogo com governo ao fim de prisões