Simone Tebet oficializa filiação ao PSB e mira Senado por SP
Ministra deixa MDB após quase três décadas, se junta ao partido do vice-presidente Geraldo Alckmin e confirma pré-candidatura ao Senado em São Paulo.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, formalizou sua filiação ao PSB com o objetivo de disputar uma vaga no Senado por São Paulo, movimento que marca uma nova etapa em sua trajetória política e reposiciona sua atuação no cenário eleitoral de 2026.
Segundo o G1, o ato de filiação reuniu lideranças importantes do PSB, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, o líder do partido na Câmara, Jonas Donizette, além de dirigentes estaduais e municipais da legenda. O evento foi marcado por discursos que destacaram o simbolismo da chegada de Tebet ao partido.
A deputada federal Tábata Amaral, presidente do PSB na capital paulista, afirmou que a filiação representa um momento histórico para a sigla. “Sem a coragem e compromisso democrático de vocês dois, Alckmin e Tebet, a história teria sido outra. E isso faz de hoje um dia tão simbólico. Essas duas lideranças que ajudaram a salvar a democracia em 2022 estão no mesmo partido e isso nos enche de orgulho. Querida Simone, por isso sua chegada é tão natural. Você traz a experiência de quem conhece o Brasil real”, disse a parlamentar.
Durante o evento, Geraldo Alckmin ressaltou o cenário político que deve marcar as eleições. Ele afirmou que os eleitores terão de escolher entre projetos que defendem a democracia e outros que representam retrocessos, além de destacar ações do governo Lula nas áreas de educação, saúde, meio ambiente e infraestrutura, mencionando a participação de Tebet nesses avanços.
A filiação encerra um ciclo de quase 30 anos de Tebet no MDB, partido ao qual esteve ligada desde 1997 e pelo qual construiu sua carreira política. Pela legenda, foi senadora e candidata à Presidência da República em 2022. Agora, passa a integrar a mesma sigla do vice-presidente, fortalecendo sua base para a disputa em São Paulo.
Em nota, o PSB celebrou a chegada da ministra e destacou seu perfil político. O partido afirmou que a filiação ocorre com “entusiasmo, respeito e senso de responsabilidade histórica”, ressaltando qualidades como “firmeza moral, experiência institucional, capacidade de dialogar com o Brasil real, coragem cívica e compromisso democrático”.
Nos últimos dias, Tebet já havia sinalizado sua intenção de disputar o Senado e afirmou que encara a candidatura como uma missão. “São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde fiz meu mestrado, onde tive projeção política. (...) Política é missão, e eu vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que eu entendo muito importante para o Brasil”, disse.
A ministra também explicou que a decisão foi resultado de articulações políticas e reflexões pessoais. Segundo ela, houve diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com Alckmin ao longo dos últimos meses. “Tem seis meses que eu tenho sido provocada positivamente de que preciso cumprir um papel em nome do país. E quando isso chegou até mim, eu fui investigar a razão dessa convocação. E, para a minha grata surpresa, fui ver, inclusive, que São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para presidente da República. Foi onde eu tive mais votos, é onde eu tenho mais acentuação”, afirmou.
Tebet revelou ainda que demorou a dar a resposta final por motivos pessoais. “Eu fiquei de dar uma resposta apenas por uma razão, e falo isso com muita tranquilidade. Eu precisava das bênçãos da minha mãe. Eu precisava conversar com a minha mãe que tinha expectativa de que eu pudesse voltar para a casa dela, pudesse estar mais próxima dela. Então, depois de explicar a situação para minha mãe, eu decidi cumprir essa missão”, relatou.
Nascida em Três Lagoas (MS), Simone Tebet é professora, advogada e tem longa trajetória na política. Foi deputada estadual, prefeita — sendo a primeira mulher eleita em sua cidade —, vice-governadora e senadora. Em 2019, tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em 2022, disputou a Presidência da República, terminando em terceiro lugar.
A expectativa é que Tebet deixe o Ministério do Planejamento até o fim de março para se dedicar à campanha eleitoral, embora ainda não haja data oficial para sua saída do cargo.
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