Humap-UFMS e outros hospitais universitários esclarecem mitos e verdades sobre amamentação
Rede reforça campanha deste ano, cujo tema é "Amamentação para um começo de vida saudável: fortaleça o que funciona".
A amamentação ainda é cercada de dúvidas entre gestantes e famílias. Durante o Agosto Dourado, profissionais dos hospitais universitários federais esclarecem os principais mitos sobre o aleitamento materno e reforçam a importância do apoio às mulheres que amamentam.
“Nosso papel é acolher essas famílias e oferecer atendimento individualizado”, acrescentou a nutricionista do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), Fabiana Santos Araújo. Ela afirmou que as dúvidas mais frequentes das mães e pais são sobre a pega correta do bebê, produção de leite, dor durante a amamentação, fissuras mamilares, ingurgitamento mamário, extração e armazenamento do leite. “Também recebemos muitas perguntas sobre como aumentar a produção de leite; se o bebê está satisfeito com o leite ou como deve ser a alimentação da nutriz. E quando tem o excedente, falamos sobre possibilidade de se tornar uma doadora”, completou.
“Questões ligadas a fissuras na mama, como posicionar o bebê e dúvidas sobre linguinha presa estão entre as mais comuns das mães”, disse a coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), a nutricionista Letícia Karina Rodrigues. A equipe do banco de leite orienta sobre estes assuntos, ajuda no processo, fala sobre a possibilidade de doação e atua diretamente na captação.
Para incentivar a doação e orientar mães e famílias sobre a amamentação, estão sendo realizadas no Hucam atividades como palestras, campanhas internas, decoração do hospital e um workshop sobre o tema, ações externas, além de participação em seminário, sempre com o objetivo de esclarecer, proteger e incentivar o aleitamento. O serviço funciona das 7h às 19h, atendendo por agendamento telefônico.
Na Maternidade-Escola Januário Cicco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (MEJC-UFRN), estão sendo desenvolvidas atividades durante todo o mês para difundir o lema deste ano: "Amamentação para um começo de vida saudável: fortaleça o que funciona". De acordo com a coordenadora do Banco de Leite Humano, Ana Zélia Pristo, a campanha do Agosto Dourado conscientiza sobre o aleitamento e esclarece dúvidas. No MEJC, os serviços do banco de leite podem ser acessados pelo telefone, com atividades abertas ao público todos os dias, das 7h às 19h.
Segundo a chefe da Unidade de Saúde da Criança e do Adolescente da Maternidade-Escola do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CH-UFRJ), Sandra Valesca de Souza, trata-se de um movimento de responsabilidade compartilhada - pilar amplamente defendido na Semana Mundial da Amamentação (SMAM), que oficialmente ocorre de 01 a 07 de agosto. Ela explica que a cor dourada simboliza o padrão ouro de nutrição: “O leite humano é o alimento mais completo, perfeito e inigualável para a saúde e o desenvolvimento nos primeiros anos de vida”.
No Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), segundo a nutricionista Grace Santos, coordenadora do Banco de Leite. Segundo ela, o lema do Agosto Dourado neste ano tem o objetivo de valorizar, proteger e dar continuidade às práticas de incentivo ao aleitamento que já dão certo no mundo todo. “O leite materno é o alimento natural mais seguro, barato e ecológico para o planeta, garantindo saúde ao bebê sem gerar resíduos industriais, fortalecendo a sustentabilidade”, disse.
Mitos e verdades sobre o aleitamento materno
Para voltar a trabalhar, a mulher deve desmamar o bebê.
MITO. Ela pode ser orientada a ordenhar o leite de forma adequada e armazená-lo sob refrigeração no freezer doméstico para ser utilizado nos horários que ela não estiver disponível.
As mamas podem ficar "empedradas" se a mulher não amamentar.
EM PARTE. Ele não "empedra". Quando o leite acumula, ele forma nódulos que dão esta sensação. Este acúmulo de leite causa desconforto nas mamas, é o que chamamos de ingurgitamento mamário. Normalmente, existe apojadura que é limite máximo de produção de leite, que acontece em média de 3 a 5 dias de vida. O único remédio é a retirada para aliviar e resolver o desconforto mamário.
Cirurgias plásticas nos seios podem afetar a amamentação.
VERDADE. Em alguns casos, onde há lesão dos ductos mamários, isto pode acontecer. Portanto, faz parte da anamnese obter esta informação, com acompanhamento sistemático do recém-nascido quanto à saciedade e ganho de peso, principalmente após a alta hospitalar.
Existe leite fraco.
MITO. O leite materno nunca é fraco. A composição do leite atende às necessidades nutricionais do bebê. Mas este mito é a principal causa de desmame globalmente.
O tamanho dos seios influencia na quantidade de leite produzido.
MITO. O tamanho dos seios se deve à presença da glândula mamária, gorduras e outras estruturas. Portanto, mamas pequenas ou grandes não são fatores determinantes do volume produzido.
Quem fez cesárea deve esperar um tempo para amamentar.
MITO. O recém-nascido em boas condições pode ser levado ao seio logo após o nascimento. Com a sucção, vai determinando a produção.
Mesmo gripada, a mãe deve manter a amamentação.
VERDADE. Quando a mãe é infectada por um vírus respiratório (como o da gripe), seu sistema imunológico produz anticorpos específicos (IgA secretora) que são transferidos diretamente ao bebê pelo leite humano, protegendo-o contra a infecção ou atenuando seus sintomas. Manter os seguintes cuidados: A mãe deve praticar a higienização frequente das mãos e, se desejar, utilizar máscara facial durante a mamada para reduzir o contágio por gotículas respiratórias.
O HIV passa de mãe para filho.
VERDADE. O vírus HIV pode ser transmitido via leite materno (transmissão vertical). Por esse motivo, no Brasil, a infecção pelo HIV na mãe é uma contraindicação absoluta para a amamentação, mesmo que a carga viral esteja indetectável.
Bebê que não engorda deve receber suplementação.
MITO (como primeira conduta ou regra geral). O ganho de peso insuficiente precisa de avaliação diagnóstica criteriosa antes de qualquer indicação de suplementação com fórmula infantil.
Deve-se avaliar a técnica de amamentação (pega, posicionamento e frequência das mamadas — livre demanda); verificar se o bebê tem língua presa ou se há ingurgitamento mamário na mãe; aumentar o estímulo à mama e garantir que o bebê tome o "leite do final" (rico em gordura).
Caso seja estritamente necessária a complementação temporária, a primeira escolha é o próprio leite materno ordenhado. Se indisponível, recorre-se ao leite humano pasteurizado de Banco de Leite e, em última instância, à fórmula infantil — administrada preferencialmente no copinho ou colher, evitando mamadeiras para prevenir a confusão de bicos.
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