SAMU Indígena reduz de 15 para 6 minutos tempo-resposta em emergências
Com profissionais fluentes em português e guarani, projeto-piloto implementado em Dourados, no Mato Grosso do Sul, funciona 24 horas por dia e beneficia 25 mil indígenas.
O atendimento está disponível à população 24 horas por dia, em todos os dias da semana. Antes do início das atividades na região, uma ocorrência dependia do deslocamento de uma equipe a partir de outras bases do SAMU em Dourados. Agora, a presença do SAMU Indígena dentro do território assegura que a assistência inicial ocorra com mais agilidade, especialmente em casos de emergência médica, como em pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) , traumas graves e quadros de insuficiência respiratória.
O projeto, que é piloto no Brasil, também amplia o acesso aos serviços de saúde dentro do território indígena beneficiado, bem como estreita a comunicação entre as comunidades e os profissionais de saúde. Dos 14 profissionais que compõem a equipe, sete são indígenas com fluência em português e guarani, uma das línguas maternas da população local. O SAMU Indígena atende principalmente as aldeias Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva e Terena.
O indígena e enfermeiro Everton Nunes Pontes destaca a presença de indígenas na equipe. “O conhecimento geográfico da região ajuda no tempo de deslocamento. No início do trabalho, criamos o projeto SAMUI na comunidade, para orientar as Unidades Básicas de Saúde Indígena e as escolas sobre como acionar o serviço. Isso melhorou a assistência para gestantes, crianças e idosos. Como metade da equipe é formada por indígenas com vivência na comunidade, o atendimento fica mais prático e inclusivo”, disse.
A Secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, também reforça a importância da integração entre o serviço e as aldeias. “A presença de profissionais indígenas que falam a língua materna da população deixa o atendimento mais humanizado, pois eles conhecem a vivência dentro dos territórios e a cultura local de cada etnia”, afirmou.
Como funciona?
Na prática, o acionamento do SAMU Indígena também é feito pelo 192, mesmo número do serviço convencional. A unidade funciona submetida à Central de Regulação de Urgências do SAMU Regional Dourados. Caso seja necessário, após o atendimento inicial e dependendo da gravidade, o paciente é transferido para unidades de saúde e hospitais da região para receber assistência especializada. Além disso, se for preciso, também pode ser solicitado o apoio de uma equipe de Suporte Avançado, bem como o acionamento de outras equipes do município.
Saúde nas aldeias de Dourados
Atualmente, as comunidades indígenas da reserva de Dourados contam também com o suporte de duas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI), um polo base e um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI).
A população tem acesso a serviços de saúde voltados à atenção primária, como consultas médicas, de pré-natal, odontologia, ginecologia, pediatria, nutricionistas, além de acompanhamento de rotina e atualização da carteira de vacinação.
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